terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Singularidade(s)




http://www.youtube.com/watch?v=CoxZWe6sAK4

Há lugares especiais, como este, com uma magia qualquer que nos leva a crer que nos pertencem, tal como há pessoas das quais nos sentimos imensamente próximos, até quando estamos longe, e com quem nos entendemos sem precisar de muitas palavras ou, sobretudo, para além delas.
Ambos sabemos disto, e de como é peculiar, e forte, e abençoada, a natureza do que nos une e nos separa e a certeza de nos termos um ao outro em total liberdade.
E um dia, não importa quando, nem onde, num lugar como este ou noutro lugar qualquer, voltaremos certamente a encontrar-nos.
Não costumo personalizar os meus textos e, no entanto, abro aqui uma excepção. Mas deixa-te de peneiras! Às vezes, só mesmo às vezes, penso em ti. Hoje, tu e eu sabemos porquê...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Amuos e Exaltações



Não sei se é impressão minha, se as motivações estão no cansaço, na crise, no excesso de dias cinzentos, ou numa conjugação perniciosa dos astros, mas a ideia que me fica de uma sequência de acontecimentos recentes, sem qualquer ligação entre eles, é que de um modo geral os ânimos andam mais exaltados e as irritações mais à flor da pele, prontas a rebentar à mínima contrariedade ou arrelia.
E detive-me a pensar um pouco sobre isto, perguntando-me por que nos zangamos tanto em certas ocasiões, por assuntos de grandeza relativa. Falo por mim, antes de mais. Também tenho o "meu feitio" e exalto-me e aborreço-me por coisas pequenas, daquelas que, vendo bem, não têm assim tanta importância.
Todas as pessoas, mesmo as que mais amamos ou admiramos, nos desiludem e magoam, às vezes. E quantas pessoas, das que nos são queridas, não nos foram já ficando pelo caminho, porque a determinada altura nos afastámos sem uma razão óbvia, ou sem conseguirmos encontrar um motivo suficientemente válido e forte que o pudesse explicar. Não sou muito dada a amuos, nem a ressentimentos, não sou capaz de fazer birra durante muito tempo e uma das minhas maiores fraquezas é a incapacidade de prolongar uma zanga com as pessoas de quem gosto e que me importam. Fica um incómodo que me sufoca e quero logo fazer as pazes. Até quando acho que tenho razão. Se uma pessoa me ofende, prefiro dizer-lho, ainda que isso implique uma discussão mais ou menos acalorada.
E, apesar de difícil,  tentar pôr-se no lugar do outro e percebê-lo pode ser um interessante exercício. É que há tanta coisa que uma boa conversa, olhos nos olhos, permite esclarecer...
Enfim, a vida é demasiado curta e, no fundo, o mais importante são os afectos: guardar os amigos verdadeiros coladinhos ao coração e levá-los connosco vida fora. E acreditar que tudo na vida pode ser sempre melhor. E ter quem acredite connosco.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O poder da poesia



Concha que se fecha devagar
só de névoa cercada
Vultos e vozes recuando
em espaço já não seu
O como ou quando
igual a nada
Concha quase fechada
mergulhando
no silêncio e no mar
de que nasceu
                          Mário Dionísio
Pela mão e pela sabedoria da minha querida professora Maria Alzira Seixo tenho vindo a descobrir em Mário Dionísio um escritor fascinante, apesar de pouco lido.
E também, de forma ainda mais clara, a importância das palavras, da literatura e da poesia; e como elas podem fazer-nos pensar, modificar-nos, mudar a nossa vida ajudar-nos  a viver melhor. Porque "um poema é sempre uma proposta de leitura de aspectos do mundo", mas apresentada de uma forma que nos "ilumina por dentro".
  
(Fotografia de mfc, do blogue Pé-de-Meia)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A felicidade é tanta coisa...




Tendemos a dizer-nos e mostrarmo-nos muito tolerantes, por uma questão de hipocrisia social, quase inconsciente, mas no fundo todos achamos que ser feliz é o que corresponde à nossa ideia e que quem não é feliz como nós somos, ou com o que nós somos, é um bocadinho mais parvo, ou incompleto. Ou infeliz.
A mim, há muita coisa que me faz feliz, mas nada como ter-te na minha vida; porque o amor pode existir de muitas maneiras... E,  apesar de todas as suas sinuosidades e reviravoltas, os grandes amores nunca morrem. 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O amor por imposição



Se eu não fizer
assim (como hei-de 
dizer?) amor 
sim amor contigo 
muitas (meudeus!) vezes 
com preguicinhas boas 
tolices ao ouvido 
revoadas de beijos 
repentes dentes 
olhares pestanejados com carinho 
oh 
nem terei nome 
serei "o coiso" "esse aí" o "como 
é que ele se chama?" 
o que dorme singelo 
o que ninguém ( ai ai) ama. 

                                    Alexandre O'Neill

(Lembrei-me deste poema de O'Neill a propósito do irritante dia de hoje e de toda a piroseira que lhe está associada.
Não é querer ser do contra, mas gosto, muitas vezes, de não seguir a tendência. E há certas convenções que não me fazem sentido algum.
E porque sou muito mais Cupido que São Valentim, prefiro celebrar o amor nos outros dias todos do ano, e em especial no assombro do inesperado que surge sem aviso prévio e me vira do avesso, do que ceder a fazer como os outros fazem, aos mil coraçõezinhos iguais, aos beijos obrigatórios só porque "é dia disso", ao anel no dedo ou uma rosa patética igual à de toda a gente, com se o amor pudesse marcar-se na agenda, com dia e hora, como uma tarefa mais. 
Por isso, hoje, ponho o amor entre parênteses e deixo as comemorações para os gestos e momentos imprevistos, sem exibicionismos, vindo do mais fundo do afecto e do sentimento, e vividos no secretismo de uma intimidade só nossa...)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Os caprichos do Anticiclone



Como acontece provavelmente com toda a gente, há palavras de que eu gosto e outras de que não gosto nada, as quais me recuso a utilizar ou, pelo menos, evito. 
Gosto, por exemplo, da palavra "desmazelo". Talvez porque, para além da sua sonoridade, me lembra o empenho com que a minha mãe nos ensinava a andar arranjadas em todas as ocasiões, adequando o modo como nos apresentamos a cada circunstância, como forma de respeito por si próprio, antes de mais, e pelos outros também. E reprovava vivamente tudo o lhe parecia o mínimo sinal de desleixo. Habituei-me, por isso, a achar, tal como ela, que é de muito mau tom parecer uma "desmazelada". 
Vem tudo isto a propósito do tempo. Porque hoje, no meu percurso matinal mais lento do que o habitual por causa da chuva, perdida em mil pensamentos, como de costume, achei que apesar de estarmos no Inverno, tantos dias cinzentos de seguida só podem ser "desmazelo" do Anticlone dos Açores, que parece ter-se escondido não sei onde, a fazer uma birra. 
Dizem os entendidos que o que justifica o actual estado do tempo é o facto de o Anticlone se ter deslocado para sudoeste, não bloqueando os temporais e deixando passar tudo o que é sistema frontal, o que nos leva o sol para outras paragens e nos impede de desfrutar do céu limpo e dos dias luminosos a que estamos tão habituados. Há quem se apresse, também, a falar em consequências do aquecimento global e blablabla. Não me interessa!...
O que sei é que tantas horas, dias, meses, de negrume e de céu baixo me influenciam o humor e me deixam mais nostálgica e desconsolada, ainda que sem motivo(s). 
E lembro-me de Cesário Verde, porque esta cor monótona e londrina (...) desperta-me um desejo absurdo de sofrer
Mas, no fundo, sou uma optimista. E acredito que depois disto, daqui a pouco mais de uma mês, vamos ter este ano uma Primavera verdadeiramente esplendorosa. 

(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014