Não gosto de futebol e, sinceramente, é um assunto que não me interessa nem um bocadinho. Mas é claro que consigo perceber, aceitar e respeitar que possa gostar-se e ser-se adepto de um clube qualquer, seguir os jogos e vibrar com eles, alegrar-se com as vitórias, ou decepcionar-se com as derrotas.
O que já não consigo entender é essa espécie de febre que parece atingir cada vez mais pessoas, e todos os excessos que lhe estão associados e que, para mim, são exagerados e ridículos. Primários, até...
Será, provavelmente, uma incapacidade minha, mas não consigo de todo compreender que quem se queixa da crise - e quem não o faz? - se disponha a pagar até cento e cinquenta euros por um bilhete para assistir a um jogo "se for preciso", como ouvi alguém dizer outro dia, nem as noites passadas à porta de um estádio para comprar bilhetes, os gritos e apitos que enchem o Marquês, ou o patriotismo exacerbado, que apenas se revela nestas ocasiões.
Não encontro sentido para todas as guerrinhas, nem para os negócios, os "chiliques" e, menos ainda, a intolerância, os insultos e as agressões que surgem em nome deste ou daquele clube.
Faz-me confusão o orgulho nacional desproporcionado de ter um Cristiano Ronaldo, que terá sem dúvida o seu valor, mas é também um bom exemplo de arrogância e de um ego gigantesco, hiperbolizado, quando ninguém fala no privilégio de ter um actor português com a genialidade de Diogo Infante, ou um escritor tão brilhante como Camões, por exemplo.
A mim, tanto se me dá quem ganhe. Sendo português, ou não. Lamento, mas o meu patriotismo passa pouco pelo desporto e muito menos pelas taças e títulos conseguidos.
Na verdade, há muitas coisas capazes de me fazerem sentir feliz, mas o futebol não é definitivamente uma delas; e, por isso, não partilho esta "histeria colectiva" que me parece, assim vista de fora, despertar o lado mais irracional, absurdo e disparatado, para não dizer pior, que há nas pessoas.