segunda-feira, 16 de junho de 2014

Paris, je reviens...

 
Gosto de cidades. Gosto de conhecer cidades novas, mas gosto mais ainda de voltar, vezes sem conta, às "minhas" cidades.
Paris é o meu amor maior, de hoje e de sempre, uma daquelas paixões idealizada primeiro e concretizada depois, sempre aconchegante e surpreendente, a minha cidade do coração, que ocupa um lugar enorme na minha vida. 
É sempre o primeiro destino onde me apetece voltar,  e  suspiro de saudades quando estou muito tempo longe. Um ano basta. Mais que isso parece-me uma eternidade.
Porque sinto a falta da luz do entardecer no Luxembourg, da vista de Montmartre, dos passeios no Quartier Latin, de me sentar na Place des Vosges; e dos telhados e do rio, dos cafés e das praças, do ritmo próprio da cidade, que mistura, com requinte e sabedoria, arte e cultura, boémia e sossego, raffinement e charme. E da língua, essa a língua que é para mim a mais bonita do mundo, que não me canso de ouvir, que adoro falar.
Paris tem em si uma inexplicável aura de magia e de encanto, que faz dela um sítio verdadeiramente especial, que convida ao amor, ao bem-estar e ao sonho. Por agora, é tempo de voltar a perder-me nos seus braços. Tempo de felicidade...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Eu é mais bolos!...




Durante não sei quantos dias, querendo ou não, vamos ter de aguentar uma overdose futebolística. E não são só os jogos, na televisão ou em écran gigante, um pouco por todo o lado. São os intermináveis comentários que antecedem e sucedem cada desafio, as tácticas e estratégias discutidas até à exaustão por verdadeiros "treinadores de sofá"; e ainda todas as notícias sobre as lesões, os treinos, o que comeram, vestiram, disseram, ou onde dormiram os jogadores; as bandeirinhas e os cachecóis; e um súbito furor patriótico, que inunda tudo. Um cansaço!...
Tudo isto me passa ao lado, tanto quanto é possível, no meio desta espécie de terramoto, que parece querer fazer esquecer que há vida para além do futebol.
Hoje, por exemplo, neste que é dia de Lisboa, nasceu em 1888, por uma feliz coincidência, um dos seus poetas maiores.  E isso também vale a pena ser lembrado...
Aqui fica:
Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
                        (Fernando Pessoa)        

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Noite de Festa

 
http://www.youtube.com/watch?v=xNFGMjyISGA

Bairro novo, bairro velho, gente boa
Em casa não há quem fique!
Vai na marcha todo o povo de Lisboa,
Da Graça a Campo d´Ourique!


Esta noite, Lisboa não dorme. Veste-se de cores garridas e canta e dança até ser dia, entre sardinhas assadas, manjericos e algazarra.
Lisboa é assim mesmo: menina e mulher, surpreendente e caprichosa, romântica, reinadia e inquieta. Feminina da cabeça aos pés.
Hoje, que é o dia da sua festa maior, assume o seu ar mais bairrista e boémio, faz-se varina e fadista, e explode numa contagiante alegria, um arraial em cada esquina, vigiada de perto pelo Tejo, seu eterno amante, que a olha em embevecido e enamorado sossego.
E até eu, que não gosto de euforias obrigatórias, que dispenso os festejos de Passagem de Ano, e os do Carnaval mais ainda, não posso, nem quero, ficar em casa. Porque hoje  a noite é especial e imperdível, sobretudo para os que, como eu, gostam de Lisboa e se orgulham de pertencer-lhe, e vivem em estado permanente paixão por esta cidade única, deslumbrante e de inigualável encanto.

(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Tardes com sabor a Verão

 
Depois de Março, Junho é o mês de que eu mais gosto. É o mês das cerejas e das festas de Lisboa, das tardes que se prolongam noite dentro, da brisa cálida que faz apetecer a rua, antecipando o Verão que não tarda em chegar. 
Este ano, por razões muito pessoais, aproveito ainda mais demorada e profundamente os prazeres de um mês tão especial. E delicio-me em tardes langorosas passadas em frente ao mar, ou a olhar o colorido das árvores que enchem ruas e praças com tons de rosa e lilás. Demoro-me nos fins de tarde, espantada e surpreendida com a luz inebriante  do rio a brilhar, regalo-me com o sabor da fruta fresca, divirto-me com a algazarra dos arraiais a contrastar com noites quentes, românticas e quietas, de olhos perdidos na lua, sonhando amores ardentes e beijos apaixonados, de antes de agora e de depois.
 Em dias preguiçosos assim, nada melhor do que soltar o cabelo no vento e deixar a vida correr despreocupada, sem mais ambição do que a de ser feliz a cada segundo.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Voltar à vida real




O  melhor do Rocío é o que não se pode contar: são os risos e as emoções à solta, os olhares cúmplices e os abraços apertados,  os corações subitamente mais perto uns dos outros. É o sentido da festa,  as memórias de outras vezes e de outras pessoas, e o que só sabe quem por lá passou.
Depois de três dias naquele lugar especial que é como um mundo à parte, diferente de tudo, longe das crises, da política e das conversas de todos os dias, é tempo de regresso.
Volta-se sempre diferente, revigorado, com os olhos a brilhar e o coração cheio, com muitas recordações que se guardam para sempre, e mil e uma histórias para juntar às lembranças  de tantas outras romarias já vividas.
Agora, arrumam-se os fatos nos armários, limpa-se o pó das botas, guardam-se as flores as medalhas enquanto se sonha já  com o próximo ano, ou com outro ano, quando num outro Rocío tudo volte a ser o mesmo e completamente diferente, quando se possa de novo voltar a cantarle a la Virgen con fe, con un olé!...
Mas por agora venham as sardinhas e os manjericos, que está aí o Santo António ...Porque esta é a semana de Lisboa, de outras festas e outras realidades...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

25 dias só meus

 
Sem despertadores a tocar às seis ou às sete da manhã, viver segundo a vontade de cada instante, passear na cidade, apanhar sol, escolher com quem, onde e quando estar, ficar em casa, dormir, ler, descansar, conversar, viajar, sentir-me dona do meu tempo. Tudo tão bom!...