Agora, muitas vezes, quando a olho e vejo nela uma sombra do que já foi, penso em quantas histórias encerram estes 89 anos, dos quais conheço tão bem as fortalezas e as fragilidades. E lembro-me, inevitavelmente, de Jacques Brel e das palavras tão certeiras de Les Vieux, sobre os estragos do tempo e um mundo que, com o passar dos anos, se vai tornando cada vez mais curto e limitado.
(...)
Les vieux ne bougent plus,
leurs gestes ont trop de rides
leur monde est trop petit
du lit à la fenêtre,
puis du lit au fauteuil
et puis du lit au lit...
ou
Les vieux ne parlent plus
ou alors seulement
parfois du bout des yeux...
ou ainda
On vit tous en province
quand on vit trop longtemps...
Há momentos em que a sua inconfundível gargalhada, a transparência verde do seu olhar, ou a alegria genuína que sempre a caracterizou, me trazem de volta pequenos pedaços de um passado que já não existe. Mas é no toque da pele, quando aperto a sua mão na minha, que sinto, na verdade, que só o nosso amor não muda.



