Mesmo dois anos e quatro meses depois, há ainda uma grande parte deste mundo virtual que me é desconhecido. Mas, no fundo, não me importo...
É relativamente reduzido o leque de blogs que me interessam e que eu leio com atenção e constância. Tal como na vida, a minha intuição, tantas vezes certeira, não é infalível. Já me enganei, pela positiva e pela negativa, que isto, apesar de ser verdade que de certo modo nos revelamos sempre mais ou menos no que escrevemos, também como me disseram há dias "quem lê palavras não vê corações".
Encontrei de tudo um pouco: os egos demasiado inchados, os pseudo-intelectuais e os escritores frustrados, o mau feitio, o insulto e a falta de educação, os obsessivos e as mentes verdadeiramente perturbadas, os dissimulados e os que se escudam no "anonimato" para dizer o que pensam, o que é para mim incompreensível.
Mas depois há também o lado bom: há os amigos que fiz e as pessoas encantadoras que pude conhecer, afinidades e afectos que se instalam e se fortalecem, e tudo o que nos encoraja e conforta, com a natural subjectividade que têm sempre estas coisas.
Hoje, percebo que tudo isto é afinal bem mais complexo do que me parecia ao início. Mas para mim continua a valer a pena. Estou como sou, não quero nem preciso de provar nada a ninguém. E, apesar de tudo, encontro por aqui, até em opiniões que não partilho, pensamentos, sentimentos, humor e gostos que me fazem rir, enternecer-me, emocionar-me, ou reflectir; muita coisa que não sabia ou em que nunca tinha pensado, pelo menos daquele modo; e novas formas de comunicar e até, de certo maneira, de viver melhor.
Há os blogs por onde passo todos os dias, onde me demoro e para onde vou "descansar" com o mesmo à-vontade com que estou no sofá lá de casa ou a uma mesa entre amigos, porque é onde me sinto bem; há aqueles que apenas "espreito" de vez em quando, que por uma razão qualquer não me prendem nem tocam tanto, e onde só vou quando tenho mais tempo e vontade. Há os que não conheço porque ainda não cheguei lá; e uma infinidade de outros que não me importam. É que, mesmo sendo assumidamente curiosa, ignoro o que não me interessa.
Esta é uma paixão recente, repentina e assolapada, que não sei quanto vai durar. Mas, enquanto durar, faço como de costume: guardo as coisas boas e deito fora o resto.