Amanhã é outro ano, como sempre acontece no dia 1 de Setembro. Desta vez, no entanto, mais do que o começo de um novo ano com tudo o que sempre há nisso de apetecível e expectante, este é o início de uma nova vida, onde o conhecido e o incerto se aliam na perfeição. E há, inevitavelmente, um ligeiro friozinho na barriga, que é o nervosismo onde se misturam medo, impaciência e vontade, em doses quase iguais. Este ano vai ser diferente. Eu acho que vai ser bom.
domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
Namoro
Que diremos ainda? Serão palavras,
isto que aflora aos lábios?
Palavras, este rumor tão leve
que ouvimos o dia desprender-se?
Palavras, ou luz ainda?
Eugénio de Andrade
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Despedida
Daqui a três horas, mais minuto menos minuto, fecha-se uma porta, encerra-se um capítulo e começa um novo ciclo. A mudança é uma coisa boa e também é dela que a vida é feita. Porque contém em si infinitas expectativas e vontades, e porque nos dá um novo alento. Caminhar, caminhar sempre, tem que ser o lema.
Levo este bairro no coração, e inúmeras aprendizagens, experiências novas, recordações (nem todas extraordinárias, como sempre acontece). Saio daqui uma pessoa diferente e acho que não será exagero considerar que o balanço é muitíssimo positivo. Este foi um tempo que me fez bem. Em muita coisa e de muitas maneiras. Por isso, hoje, tenho a sensação que, quando ao final da tarde me for embora, levo comigo mais mundo...
Hei-de voltar a estas ruas, para ir ao sapateiro, à costureira, à ourivesaria, tomar café, ou apenas passear. Enfim, o que me apetecer...
Há quatro anos, lembro-me ainda muito bem, na véspera de para aqui vir, fartei-me de chorar. Era o nervosismo de não saber o que ia encontrar e a ideia de deixar para trás aquilo que durante muito tempo fora a minha "zona de conforto", um passado enorme que, com aspectos muito positivos e outros nem tanto, me fizera mais feliz que infeliz, mas que eu sabia estar definitivamente acabado. E essa ruptura com uma grande parte da minha vida era, em simultâneo, dor e necessidade.
Agora parto porque quero, tal como antes, e apesar de estar pronta para um caminho que não será exactamente fácil, vou com o coração ao alto, na esperança de uma vida nova, que é quase como (re)começar outra vez. E fazer diferente, porque também eu sou a mesma e já sou outra.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Praças da minha vida
(Praça Duque de Saldanha)
(Praça de Londres)
(Praça de Alvalade)
Em diferentes épocas, e por diferentes razões, estas três Praças de Lisboa estão fortemente ligadas à minha história, da qual são parte indissociável, distinguindo-se de tantos outros sítios por onde passei, por serem lugares que deixaram marca.Como um sinal, uma espécie de tatuagem, ou até mesmo uma cicatriz...
O Saldanha é "a minha casa", a minha memória mais antiga de Lisboa, ponto de referência de infância e juventude, onde vivi os meus vinte primeiros anos e que, talvez por isso, ainda hoje é berço e é colo, que me aconchega e ampara sempre que chego perto.
Depois, por volta de finais dos anos oitenta, foram as razões do coração que me levaram para a Praça de Londres. Vivi perto e, mesmo no que se lhe seguiu, durante muito tempo, centrei ali a minha vida.
E, agora, este amor mais recente: a Praça de Alvalade, onde passei os últimos quatro anos, dias e dias a fio, muits horas sentada na frente de um computador, com as Avenidas de Roma e da Igreja como horizonte, e o bulício da cidade perto e longe ao mesmo tempo. E ainda este magnífico bairro, a fervilhar de vida, tradicional e moderno, que eu já conhecia mas que só agora aprendi de cor, em todos os pormenores que fui notando e conhecendo devagar, na descoberta lenta de cada recanto, de cada encanto, e de que já tenho tantas saudades, antes mesmo de o deixar.
De todas e de cada uma destas Praças guardo, por isso, maravilhosas recordações; e a elas regresso sempre com prazer e vontade, mesmo se o tempo as vai modificando, tal como faz comigo. No fundo, para onde vou - que não é longe, e também é casa - levo-as coladinhas a mim, no coração e na vida.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
O tempo actual e as palavras dos outros
Este é mais um magnífico texto de Pedro Correia no "Delito de Opinião", da série "Penso rápido". Daqueles que suscitam um inevitável: "É isto!"
O Pedro tem esta extraordinária capacidade de conseguir dizer de uma maneira simples e certeira o que muita gente pensa sem encontrar as palavras que o possam exprimir com a mesma clareza.
E, nem que fosse só por isso, a blogosfera já teria valido a pena. Mas há, felizmente, muito mais...
"Nunca devemos confundir movimento com acção", ensinava Hemingway. Tenho-me lembrado com frequência desta frase sábia que parecia antecipar o tempo actual, em que tudo se banaliza. É um tempo de anestesia colectiva, potenciado pelo efeito reprodutivo da internet, das redes sociais, dos canais de notícias, da televisão em fluxo contínuo. Já quase nada surpreende, já quase nada escandaliza ninguém. E o mais chocante nesta permanente girândola de imagens em movimento é o facto de as "consumirmos" (palavra muito em voga) numa total falta de enquadramento hierárquico de valores, proporcionada pela diluição do jornalismo clássico que funcionava como mediador neste circuito. Hoje tudo é importante. O que equivale a dizer que nada é importante. Somos bombardeados com imagens de "famosos" a levar com frívolos baldes de água fria intercaladas com o vídeo do jornalista americano prestes a ser decapitado por um carrasco encapuzado, exibido até à náusea por todos os meios disponíveis como veículo de propaganda da face mais repugnante do islamismo radical. E depois disto voltam os baldes de água fria. Ou o bebé assassinado pelo pai. Ou a crise do BES. Ou a contratação do enésimo "reforço" para um clube de futebol. Ou outro homicida ovacionado por "populares" à entrada do tribunal neste país de alegados brandos costumes. Ou mais um avião que cai sabe-se lá onde, derrubado sabe-se lá por quem.
Nada choca, nada impressiona, nada fica, nada se retém numa sociedade narcísica onde se dilui a noção de privacidade à medida que tudo se "partilha" no instagram e no facebook, e que elege as selfies como supremo grito da moda: virar a câmara não para o mundo ou para os outros mas para o próprio fotógrafo que transforma o foco digital em espelho. A palavra eu sobrepondo-se à palavra tu e à palavra nós.
Nada choca, nada impressiona, nada fica, nada se retém numa sociedade narcísica onde se dilui a noção de privacidade à medida que tudo se "partilha" no instagram e no facebook, e que elege as selfies como supremo grito da moda: virar a câmara não para o mundo ou para os outros mas para o próprio fotógrafo que transforma o foco digital em espelho. A palavra eu sobrepondo-se à palavra tu e à palavra nós.
Sem ti
E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
Sem álamos,
Sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.
Eugénio de Andrade
(Fotografia de Maria Cristina Guerra)
domingo, 24 de agosto de 2014
Expressões detestáveis (I)
Há inúmeras expressões que se utilizam de forma corrente, embora sejam desprovidas de sentido, ou profundamente irritantes. Ou até, não raras vezes, as duas coisas.
Uma delas é, por exemplo, "ser muito amigo do seu amigo". Ouve-se com frequência, em particular quando se quer elogiar uma pessoa e não se sabe o que dizer. Mas, na verdade, não significa nada.
Já o contrário não costuma ouvir-se. No entanto, se alguém fosse "muito amigo do seu inimigo", isso sim, é que seria notável, e caso para assinalar. Só que ninguém o diz...
Já o contrário não costuma ouvir-se. No entanto, se alguém fosse "muito amigo do seu inimigo", isso sim, é que seria notável, e caso para assinalar. Só que ninguém o diz...
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