quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Nós por cá...


Dois anos e meio depois de ter vindo aqui parar, sinto-me  ainda uma principiante. Ainda há muita coisa que desconheço neste mundo simultaneamente diverso e aliciante, que me atrai e assusta em doses quase iguais, tal e qual como o início de um amor, ou o limiar de um caminho novo.
Nos últimos dias, dois blogs que gostava de acompanhar anunciaram o seu fim. E eu, que não sou dada a despedidas, não posso deixar de sentir uma certa tristeza. Ou pelo menos de ficar com pena, nem que seja de um ponto de vista estritamente egoísta.
Um amigo dizia-me, também por estes dias, que a blogosfera tem vindo a decair; tendo a concordar, embora perceba que tudo tem um tempo. Ou que o cansaço, a falta de tempo, a simples necessidade de parar e fazer diferente, ou seja o que for, nos leve a querer desistir. Mesmo que seja uma desistência temporária.
Por mim, apesar de algumas contrariedades sem importância  - que só aquilo que tem verdadeiramente valor para nós pode afectar-nos deveras - têm sido, até agora, muito mais as coisas boas do que as menos boas. E por isso, porque por enquanto estou aqui bem, vou-me mantendo por cá.
(Um exemplo: as fantásticas descobertas que fiz, como estas fotografias que encontrei mais ou menos por acaso e que não me canso de olhar. Quando vi esta pela primeira vez, lembrei-me logo de uma canção de que gosto muito. E de tantas outras coisas em que fico entretida, a pensar...)
(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Armar ao pingarelho

Gosto do CCB. Do espaço, da localização junto ao rio, da organização e dos eventos. Se calhar passei a gostar ainda um pouco mais quando foi Vasco Graça Moura a dirigi-lo e, entre muitas outras coisas, deu à Literatura e às Humanidades o lugar de destaque que  deveriam ter sempre. E recusou-se à aplicação do AO.
Neste fim de semana, porém, mudei ligeiramente de opinião. Por isto: no final de um magnífico espectáculo de Luís Represas, um grupo alargado de pessoas que queria ir aos bastidores cumprimentá-lo, como é habitual, viu-se impedido de o fazer por meia dúzia de meninos imberbes e engravatados, com tiques de segurança de discoteca de quinta categoria.
Diziam que não podiam entrar mais de quinze pessoas e que se tratava de "ordens superiores". As quais contrariavam indecente e despudoradamente a vontade do artista, de ter junto de si familiares e amigos. Mas isso parecia, no caso, irrelevante.
Quem conhece o Luís, de resto, sabe bem com que alegria e carinho recebe sempre toda a gente que o quer abraçar e felicitar no final dos concertos. E,  até, como somos já de certo modo uma família os que nos costumamos encontrar todos depois lá dentro, nos bastidores.
As pessoas (e eram muitas) esperavam ordeiramente, cheias de paciência. Mas não adiantava. Não queriam saber de nada. Mantinham-se  imperturbáveis, comunicando por auriculares sabe Deus com quem, e afiançavam que "as regras tinham mudado".
Uma vergonha inexplicável, a qual motivou um comunicado do Luís, hoje mesmo divulgado via Facebook. Dizia assim:
Quero pedir desculpa a todos os amigos, família e convidados que ficaram retidos sem poder entrar no Bar dos Artistas e assim, como é hábito, trocarmos abraços e carinho. Infelizmente o CCB adoptou recentemente regras e comportamentos inqualificáveis quanto a este procedimento que sempre se regeu pelo mais elementar bom senso. Lamento. Os actos ficam para quem os pratica.
Luís Represas
Por mim, mesmo tendo acabado por conseguir entrar, depois de algum tempo de espera e utilizando a minha experiência destas coisas, considero que isto mancha a imagem do CCB. E não sei o que a nova direcção terá a ver com isto, mas por instantes tive saudades da inteligência e da sensatez de VGM.
Enfim, o episódio, em si mesmo lamentável e ridículo, não chegou para afectar a magia e o encanto de uma noite especialíssima. Mas, como diria o outro, "não havia necessidade"...

domingo, 26 de outubro de 2014

Mais perto das emoções


Esta noite é toda ela do Luís Represas, meu amigo e irmão, que faz parte  da minha vida quase desde sempre, e com quem ao longo dos anos tenho vivido muitas outras noites de emoção e sentimentos.
Mas nenhuma é igual. E esta foi, talvez, a mais diferente de todas. Mais intimista e intensa, mais virada para dentro, e ainda mais perto do que, no mais fundo de nós, nos faz enternecer e sonhar.
No palco, menos músicos e instrumentos do que é habitual; apenas um piano, um contrabaixo e a voz singular de um cantor excepcional, que arrepia e encanta, que nos leva para longe e permite sentir o que é impossível de explicar.
Um concerto é sempre um momento especial. De entrega e de cumplicidade. Nada a ver com o dia a dia, em que ouvimos as canções, gostamos delas  e fazemo-las nossas, passamos a sentir que nos pertencem também um bocadinho e a associá-las  a histórias vividas, que só nós sabemos. Mas é nos concertos que elas ganham mais vida e mais sentido, que se nos colam ao coração e à pele, e que a relação entre quem canta e quem ouve cantar se torna mais próxima. Como um longo e festivo abraço.
O Luís diz que "as notas são como as cores. Só aparentemente solitárias". Hoje, através delas e das canções de antes e de agora, fizemos juntos uma imensa viagem, daquelas que se saboreiam devagar e se recordam durante muito tempo, ou mesmo para sempre.
O Ricardo Ribeiro (que nunca tinha ouvido ao vivo) e o Stewart Sukuma (que eu não conhecia), também eles donos de magníficas vozes,  ajudaram a tornar tudo ainda mais bonito e a noite verdadeiramente diferente. Tocante. Inesquecível. "Tomara que fosse sempre assim..."
(Fotografia de Mónica Joady, encontrada há algum tempo, algures pela net.)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Badalhoquice(s)


Ainda sobre o malfadado e inenarrável AO, o que se conseguiu foi criar uma confusão ainda maior e esta "rebaldaria" a que se assiste hoje, que  admite tudo e mais alguma coisa, e que ouvi há dias uma pessoa que muito prezo classificar, muito apropriadamente, como uma "badalhoquice".

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Fantasia

 
Hoje, bastar-me-ia deitar a cabeça no teu colo e sossegar no calor do teu abraço e em tudo o que nele me desconcerta, me perturba, me alicia, e me faz querer tudo e tanto, muito para além do que sei que podes e ainda assim me dás... 
 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Saudades de Espanha


Gosto de Espanha, já se sabe. Do flamenco, das palmas e olés. Dos cavalos e dos touros. Dos lunares, dos abanicos e das castanholas. E de todos os tópicos que lhe estão associados.
E tenho às vezes saudades daquela alegria genuína que se estende noite fora, que mistura risos com copos e charlas de amigos, sem fronteiras, nem nada a separar-nos; e por isso os nossos encontros duram quase sempre até que o sol e a claridade anunciem  um novo dia.
Há memórias inesquecíveis dessas noites de festa, com momentos obrigatórios, com sevillanas e rumbas e a inevitável Maria la Portuguesa, quando já  a noite vai alta e bem regada de cañas, de tintos de verano, de rebujitos, de cubatas, ou seja do que for; e tudo aos berros:

 ¡Ay, María la portuguesa!
Desde Ayamonte hasta Faro
se oye este fado por las tabernas.
¿Dónde bebe viño amargo?
¿Por qué canta con tristeza?
¿Por qué esos ojos cerrados?
Por un amor desgraciado,
por eso canta, por eso pena.
¡Fado! porque me faltan sus ojos.
¡Fado! porque me falta su boca.
¡Fado! porque se fue por el río
¡Fado! porque se fue con la sombra.
 
  

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Abatimento

 
Às vezes, só às vezes, era como se o mundo inteiro lhe caísse em cima; e parecia não haver nada, nem ninguém, que pudesse sequer estar perto de entender o que era só silêncio, solidão, e uma profunda e gigantesca tristeza, que desatava lágrimas há muito reprimidas, ou era apenas cansaço e consumição.