sábado, 27 de dezembro de 2014

Sorrir

 
 A veces
por supuesto
usted sonríe
y no importa lo linda
o lo fea
lo vieja
o lo joven
lo mucho
o lo poco
que usted realmente
sea

 (...)

y a lo mejor
si la sonrisa viene
de muy
de muy adentro
usted puede llorar
sencillamente
sin desgarrarse
sin desesperarse
sin convocar la muerte
ni sentirse vacía

llorar
sólo llorar

entonces su sonrisa
si todavía existe
se vuelve un arco iris.
 
                                       Mario Benedetti
 
(Fotografia de José Manuel Durão)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O mundo precisa de ternura


Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a reflectir. Como acolhemos a ternura de Deus? (...) a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a procurar-me, a encontrar-me e a cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem?
E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais (...) 
Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! (...)
 
Estas são palavras do Papa Francisco na homilia da noite de Natal.
A ternura, que muitos tendem a confundir com lamechice, é na verdade do mais importante e bonito que há na vida; é o lado mais doce e carinhoso do amor.
E se soubéssemos dar-lhe mais atenção e relevância, o mundo seria certamente bem melhor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

In memoriam


Gosto de vozes roucas. Hoje apagou-se  uma delas. Escolho, de entre as muitas canções possíveis, a que para mim tem feito mais sentido nos últimos dias.
Tenho, felizmente, alguns bons amigos. E essa é talvez a minha maior riqueza.


domingo, 21 de dezembro de 2014

Apaziguar os medos

 
Quando eu era pequena e tinha medo do escuro só no colo da minha mãe me sentia protegida daquele imenso negrume por onde eu acreditava virem monstros e perigos, escorregando misteriosamente no rasto de luar que  se introduzia pelas mais pequenas frinchas e me iluminava  partes do quarto, avolumando as sombras e adensando os recantos mais negros, que pareciam buracos vazios.
Na altura bastava-me chamá-la, bastavam-me os seus braços fortes e o calor da sua mão para acalmar e voltar a adormecer em paz.
Hoje, chamamo-nos uma à outra sem palavras, sentamo-nos em silêncio junto de uma janela sem vermos o que está para além dela, e apertamos as mãos na inquietação e no desconforto do que fica para lá do horizonte visível.
Agora  já não há monstros imaginários e o desamparo parece bem maior. Mas na vulnerabilidade do fim como na do início da vida é também o amor que nos tranquiliza e amplia  a certeza de que o medo e a morte não se intrometem na vida; fazem parte dela.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Amigos


Nunca fui uma daquelas pessoas que se gaba de ter um grande número de amigos, nem das que chama amigo a quase toda a gente, incluindo no grupo pessoas que mal se conhecem. Nisto, como noutras coisas, sempre fui mais da qualidade que da quantidade, preferindo a velhinha máxima do "poucos mas bons". 
E, no entanto, por mais lugar-comum que seja tudo isto, nada como passar por uma situação complicada, uma qualquer, que o que a motiva tanto faz, para perceber com quem realmente podemos contar.
É então que surgem as maiores surpresas. E as decepções, também. Nem sempre se recebe o apoio de quem mais se esperava, mas confirmam-se ou fortalecem-se muitos laços e acrescentam-se afectos no lugar dos abraços e dos sorrisos em falta. No fundo é quase como arrumar a casa. Quem verdadeiramente conta é quem está presente; e há mil e uma maneiras de isso acontecer.
O resto? Deita-se fora!...
 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Natal?


                                                    Haverá um Natal e será o primeiro
                                                    em que nem o Natal terá qualquer sentido
                                                                                                                  
 (David Mourão-Ferreira)

Quase nem dou por isso. O "espírito da época" e o mundo inteiro passam-me agora um pouco ao lado. É como viver numa bolha, onde só há nevoeiro e tudo é incerteza, angústia e indefinição.