sábado, 14 de março de 2015

Sossego


Nos dias em que o trabalho ou outro motivo qualquer me obrigam a ficar fechada em casa horas a fio, descanso o olhar em imagens que me tranquilizam, ouço música baixinho, e deixo o pensamento voar... Tudo tem sempre um lado bom.
 
(Fotografia de Maria Cristina Guerra)


 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ponto final

 
Não gostava de dar a nada um tom definitivo, nem de dizer nunca, nem para sempre. E no entanto parecia-lhe cada vez mais claro que aquele amor que acreditara ser da vida inteira tinha chegado a um ponto em que era impossível voltar atrás, e consertá-lo, e retomá-lo como antes repetidamente acontecera, no tempo em que tinha a certeza que sem ele a vida não tinha cor, ou sentido.
E se às vezes ainda se lhe enevoavam os dias, e entristecia, não era senão a mágoa de saber que já pouco restava do que fora uma paixão imensa e era agora um vazio sem remédio, confundido com outras vontades e medos que lhe assaltavam o peito e o corpo, enquanto pensava que o caminho é sempre para a frente, ainda que talvez não soubesse, ou pudesse, voltar a entregar-se assim.
Não chorava, não sofria. Mas a certeza daquele fim fazia-a, a espaços, tremer de frio pelo lado de dentro, e gelar-se-lhe o coração, ao perceber que ele era afinal previsível e inevitável, e que ela não lhe tinha sequer notado os sinais; que nunca pudera ou quisera ver isso com a mesma clareza com que o via agora; e que o amor que fora tudo, prazer, descoberta, entrega, dor desânimo, risos, lágrimas e saudade - que o amor nunca é simples nem tranquilo - se fora extinguindo aos poucos, até não ser já coisa nenhuma. E nem mesmo o aliciante e incerto do que estava por vir, feito de ânsia e de temor em igual proporção, a conseguia animar.
Aninhava-se no seu canto, virada do avesso, alheada do mundo, desprotegida e assombrada pela ausência de um colo e de um abraço protector, e deixava-se ir na banalidade dos dias que se sucedem a outros dias, envolta em brumas e em ventos que sopravam em todas as direcções, percorrendo caminhos indefinidos, tentando aproveitar a vida como ela vem, sem querer saber de nada, como quem deixa passar a tempestade e espera o regresso do sol para aproveitar a liberdade e a luz, e depois solta os cabelos no vento e sonha com horizontes límpidos e sem limites, e se deixa seduzir pelo arrepio de vontades insensatas, vidas novas, intimidades por descobrir.
 
(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Canções da minha vida (VIII)


 
Tal como todas as outras de Simon & Garfunkel, esta canção marcou uma época e as vidas de quase todos os que têm mais ou menos a minha idade.
Hoje, ouço-a(s) raramente, mas quando isso acontece não posso deixar de viajar até ao tempo inocente, despreocupado e apaixonante em que o mundo era nosso, a vida se sonhava em grande parte pelos acordes das nossas guitarras, imaginávamos mil caminhos possíveis e acreditávamos que havíamos de conseguir fazer  diferente e melhor.
E, no entanto, não queria voltar atrás; não sou nada nostálgica do que passou e os anos ensinam-nos muito coisa. Por isso, agora, sou ainda muito do que era antes, com o saber acrescentado do que entretanto conheci e aprendi, que fez de mim uma pessoa melhor, tenho a certeza, sempre à procura do equilíbrio entre a serenidade e a inquietação.
Mas, em certos dias, sabe bem voltar a ouvir estas canções...
 
I am older than I once was
And younger than I'll be
That's not unusual
No it isn't strange
after changes upon changes
We are more or less the same
after changes we are more or less the same...


quarta-feira, 11 de março de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015

Escolhas


Acabo de tomar uma decisão que pode mudar a minha vida. Gosto de desafios e não sou de pensar muito tempo. Sigo normalmente o coração e o meu impulso, com todo o risco que isso implica. Se fiz ou não uma escolha acertada, só o tempo dirá. Para já, fica esta sensação, misto de alívio e de arrepio. Mas sou uma optimista: vai correr bem...

segunda-feira, 9 de março de 2015

Vozes


Por mais que a partilha do silêncio seja indício de cúmplice intimidade, eu, que sou muito ligada às palavras, deixo-me enfeitiçar com facilidade com uma boa conversa.
E há vozes que podem ser tão maravilhosamente sedutoras, que nem precisam de vir acompanhadas de tolices ao ouvido, revoadas de beijos, repentes, dentes, para se nos agarrarem ao coração, à pele e à vida...

domingo, 8 de março de 2015

A (des)propósito



Não tenho paciência alguma para o "Dia da Mulher" como não a tenho para o "dia" de coisa nenhuma. Podem falar-me de direitos e conquistas e blablabla, mas o próprio facto de haver um dia da mulher não deixa de ser também uma certa forma de discriminação.
Leio muita coisa mais ou menos emocionada por aí e a mim apetece-me, acima de tudo, disparatar...