quarta-feira, 15 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
"Enquanto há língua há esperança"
O Anfiteatro 1 da Faculdade de Letras foi hoje demasiado pequeno para acolher todos os que quiseram estar presentes no Fórum/Debate pela defesa da Língua Portuguesa e contra a aberração do AO de 1990.
Durante mais de três horas foram muitos os escritores, jornalistas, professores e alunos dos ensinos universitário e secundário, tradutores, intérpretes, cidadãos, que se manifestaram contra este aviltamento da língua e as suas consequências. Foram muitos, de igual modo, os que não podendo estar presentes, fizeram chegar a sua opinião e adesão à iniciativa, como João Braga, Bagão Félix, ou Garcia Pereira, por exemplo. Naturalmente, Vasco Graça Moura foi um nome muito citado. Nada mais justo! É por isso que o título deste post lhe presta também homenagem, citando as suas palavras, sempre certeiras.
Na impossibilidade de dar conta de tudo o que ali que foi dito, nas mais diversas e pertinentes intervenções, e enquanto aguardamos que o filme do encontro chegue ao Youtube, aqui fica a moção hoje aprovada:
O chamado "Acordo Ortográfico" ("AO") contradiz-se já na sua designação, porque nem é acordo (só válido se ratificado por todas as partes assinantes) nem ortográfico (uma vez que o seu texto prevê a existência de facultatividades). Implementado sem discussão pública, contra o parecer de conceituados linguistas e docentes de língua e literatura portuguesa, só por via de uma imposição autoritária é que tem sido possível a sua adopção, nunca consequente devido à destruição de uma normatividade articulada com a herança etimológica.
Após três anos e três meses da sua imposição no ensino e na administração Pública, os resultados estão à vista, traduzindo-se numa arbitrariedade de cortes de consoantes mesmo quando são pronunciadas. O chamado "AO" falhou assim os seus autoproclamados objectivos, nomeadamente a unificação das variantes do Português e uma alegada "simplificação" que corresponde a uma total insegurança ortográfica.
Por isso, os cidadãos reunidos no Fórum organizado por um grupo de docentes e alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 14 de Abril de 2015, exigem a imediata suspensão da obrigatoriedade do uso do "AO" nas escolas e na Administração Pública, bem como a organização de um referendo cujos resultados reflictam o modo como todos os utentes da língua pensam qual a opção ortográfica que melhor corresponde a um uso sustentado da mesma, no quadro das línguas europeias da mesma família.
Enfim, por enquanto, a todos quantos gostamos suficientemente da nossa língua para não poder aceitar vê-la assim maltratada e destruída, e colaborar nisso, resta-nos o direito à objecção de consciência e a resistência activa a esta ignomínia. Por mim, sei muito bem o que fazer; e manter-me-ei fiel àquilo em que acredito.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Desconcerto
Hoy quiero estar a oscuras /Para encender las luces del alma diz a letra de uma sevilhana que me vem à cabeça de repente, enquanto penso como certos momentos de incerteza, de mágoa, ou de decepção parecem contaminar tudo até deixar que a tristeza e o desalento se instalem, ganhem espaço e nos derrubem. Mas às vezes, só às vezes, também é preciso perdermo-nos para nos voltarmos a encontrar.
domingo, 12 de abril de 2015
O fim do Institut Français de Lisbonne: escândalo e vergonha
Fui aluna do Instituto Francês quando ele ainda funcionava no Lycée Français Charles Lepierre. Guardo desses anos excelentes recordações, amigos que mantenho até hoje, e um vasto leque de professores que foram um exemplo e uma inspiração. Foi no Instituto Francês que fiz o meu verdadeiro estágio, que aprendi com o rigor de quem sabe o que faz a língua e a cultura francesas, que me apaixonei ainda mais por elas, que comecei a pensar em francês.
Quando o Instituto se mudou para a frente da minha casa e passou a chamar-se Franco-Portugais, deixei de ir à biblioteca da António Augusto Aguiar, onde passara muitas tardes a estudar, e tornei-me frequentadora assídua deste novo espaço, com uma oferta cultural interessante e diversificada, onde pude assistir a todo o tipo de eventos e fazer os mais criativos e inimagináveis cursos livres, como o de gastronomia francesa através das particularidades da diferentes regiões. E é apenas um exemplo. Há muitos mais.
Sobre a Mediateca do Instituto podia ler-se no site da CML o seguinte:
A Mediateca do Instituto franco-português propõe-lhe o acesso aos diversos aspectos da língua e cultura francesas. Distribuída por dois pisos, abriga a mais importante colecção documental sobre a civilização francesa existente em Portugal : 35.000 documentos dos quais 20.000 livros, 2.200 CDs, 1.900 vídeos, 200 DVDs e CD-ROMs, 80 títulos de revistas e 10.000 revistas antigas. Pode consultar-se livremente todas as colecções no local. O pagamento de inscrição só é exigido no caso de empréstimo domiciliário. Na qualidade de sócio, pode pedir emprestados livros, revistas, CDs, vídeos, DVDs e CD-ROMs à sua escolha.Certas colecções são particularmente ricas e englobam áreas de crucial importância, como sejam : As ciências humanas e sociais: 6.000 documentos essenciais sobre filosofia, psicologia, psicanálise, sociologia, ciência política e história. As artes: 5.000 livros, CDs, CD-ROMs e vídeos sobre cinema, teatro, dança, música, artes plásticas, arquitectura, moda e banda desenhada. A literatura: 6.000 romances, novelas, policiais, antologias poéticas, ensaios, críticas e biografias de escritores oferecem um vasto panorama da literatura francófona. A informação: 80 títulos de jornais, revistas e magazines abordam todos os aspectos da actualidade francesa e internacional.
O ensino da língua francesa: 3.000 livros, cassetes e vídeos destinados aos professores de francês e respectivos alunos. Finalmente, as crianças são objecto de uma atenção especial, tendo sido criado um espaço específico para elas, recheado de livros, revistas e banda desenhada.
Pois tudo isto está em vias de terminar, - parece que já em Maio ou Junho - sem que se perceba que política cultural e de língua é esta, que corta um laço tão fundo e tão antigo entre estes dois países e os afasta ainda mais, numa altura em que o Inglês vai ganhando espaço e assumindo uma hegemonia quase dictatorial, e na escola os alunos tendem a escolher o Espanhol como segunda língua em detrimento do Francês.
Completamente por acaso, encontrei hoje uma professora do Instituto, daquelas que marcam a nossa vida para sempre, e falámos também sobre isto longamente. Explicou-me que a tendência é agora, sabe-se lá porquê, virar um pouco costas à Europa e apostar no leste e na Ásia, para difundir a língua e a cultura francesas. Disse-me que em Berlim, um movimento de cidadãos conseguiu impedir o encerramento do Instituto Francês, mas que aqui, além da petição que já tem 6000 assinaturas, (https://www.change.org/p/sauvonsifp) há pouca mobilização da opinião pública, no nosso habitual conformismo, que nos leva a encolher os ombros diante de praticamente tudo.
Mas em França também há quem fale nisto: o Canard Enchaîné publicou esta semana um artigo sobre o assunto. O texto, de David Fontaine, diz assim:
Begag: bad gag à Lisbonne
À l'invitation de la chambre de commerce luso-française, Manuel Valls doit prononcer, ce vendredi 10 avril à Lisbonne, une conférence prometteuse: "France-Portugal: agir pour la croissance en Europe". Ou pour la décroissance culturelle de la France au Portugal? Car le Quay d'Orsay a décidé cet automne de fermer, pardon, de "restructurer" l'Institut Français de Lisbonne pourtant situé dans un bâtiment ad hoc construit en plein centre-ville en 1984, mais qui va être revendu... Adieu auditorium de 270 places, salles de cours, médiathèque!
Retour à la case départ: l'Institut, ou le peu qu'il en reste, sera repatrié dans des locaux plus exigus sur le site verrouillé de l'ambassade, située dans un quartier excentré. Avant de mourir, le doyen du cinéma mondial, le réalisateur Manoel de Oliveira, 106 ans, a eu le temps de parapher la pétition signée depuis décembre par tout le gratin portugais: 5400 noms, dont trois anciens ministres, les écrivains António Lobo Antunes et Lídia Jorge ou l'actrice Maria de Medeiros. La pétition assène ce coup de pied de l'âne: "En dépit de la gravité de la crise au Portugal, la fermeture du centre culturel portugais à Paris, l'Institut Camões, n'est pas à l'ordre du jour."
Recasé conseiller culturel et directeur de l'Institut Français de Lisbonne en décembre 2013, l'ancien sous-ministre de Villepin Azouz Begag s'avère un liquidateur zélé. Il s'apprête à virer six membres du personnel portugais, malgré des dizaines d'années d'ancienneté... Il a aussi fait supprimer en cours de route le poste de directeur adjoint et attaché de coopération, sous pretexte que sa titulaire lui déplaisait. Et il n'a plus adressé la parole à son attachée culturelle, tout en écourtant la mission de l'attaché audiovisuel.
Begag ne rigole pas et boycotte nombre de manifestations de ses services. Après avoir "reorganisé" le festival du cinéma français à sa façon, il propose désormais, faute d'auditorium, d'installer un "écran gonflable" devant la Cinémathèque portugaise! Ou de faire don des livres de sciences humaines de la médiathèque à différentes bibliothèques portugaises, en raison du manque de place dans les nouveaux locaux de l'ambassade. L'an dernier, il s'était mis en tête de brader une partie des bouquins du fonds, propoposés à la cafète de l'Institut pour une obole de 2 euros reversée à l'église du coin!
Girouette politique passée de Villepin à Hollande en passant par Bayrou, Begag au fil de ses interviews se voyait déjà conseiller culturel au Brésil ou défenseur des droits... Dans "Le Petit Journal" (27/02) il vante en bon fayot de Hollande son action à Lisbonne: "Le changement, c'est maintenant! L'Institut Français du Portugal revient par les portes du futur!"
Mais dans quel état...
Muito mais que lamentável, esta decisão é escandalosamente vergonhosa e acabará por prejudicar de maneira profunda os dois países.
Muito mais que lamentável, esta decisão é escandalosamente vergonhosa e acabará por prejudicar de maneira profunda os dois países.
sábado, 11 de abril de 2015
O avesso do avesso do avesso
Não tenho para ti quotidiano
mais que a polpa seca ou vento grosso,
ter existido e existir ainda,
querer a mais a mola que tu sejas,
saber que te conheço e vai chegar
a mão rasa de lona para amar.
Não tenho braço livre mais que olhar
para ele, e o que faz que tu não queiras.
Tenho um tremido leito em vala aberta,
olhos maduros, cartas e certezas.
Neste comboio longo, surdo e quente,
vou lá ao fundo, marco o Ocupado.
Penso em ti, meu amor, em qualquer lado.
Batem-me à porta e digo que está gente
Pedro Tamen
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Papa ou Maman
Não será um grande filme, mas é daqueles que nos fazem passar uma hora e meia divertida e que são óptimos para "desopilar" (adoro esta palavra!). Ser um filme francês e ter, além disso, o charme de Laurent Lafitte que já vira pelo menos em "Les Petits Mouchoirs" fez-me correr o risco. Sem me arrepender.
A história começa por ser banal: um divórcio, decidido de mútuo acordo e tratado de forma "civilizada", mas que foge depois aos estereótipos do género, na medida em que, contrariamente ao que seria expectável, nem pai nem mãe querem a guarda dos filhos, o que desencadeia uma contenda levada quase aos limites, - a lembrar a "Guerra das Rosas", - sem nunca perder ritmo e a ser capaz de nos prender do princípio ao fim.
Consta ser a primeira longa-metragem de um tal Martin Bourboulon, de quem confesso nunca ter ouvido falar. Para o resultado final muito contribuem os actores, com especial destaque para os pais (Marina Foïs e Laurent Lafitte), e também para os filhos (Alexandre Desrousseaux, Anna Lemarchand, Achille Potier). Apenas o final é demasiado "cor de rosa" e nesse sentido desilude um pouco. Mas saí muito bem-disposta. E afinal também é essa a função do cinema...
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Para ouvir, sempre!
Dizem que "gostos não se discutem", mas eu acho que se discutem sim, embora cada um tenha os seus.
Luís Represas, já se sabe, é para mim "a voz". Tem acompanhado a minha vida toda e, às vezes, lembro com saudade tempos antigos em que ia ouvi-lo e vê-lo cantar todas as semanas, três dias seguidos, se calhasse.
Luís Represas, já se sabe, é para mim "a voz". Tem acompanhado a minha vida toda e, às vezes, lembro com saudade tempos antigos em que ia ouvi-lo e vê-lo cantar todas as semanas, três dias seguidos, se calhasse.
Hoje já não é assim, mas continuo a gostar muito de o ouvir e faço-o frequentemente, sem nunca me cansar.
(Fotografia de Mónica Joady)
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