Detenho-me às vezes a observar atitudes e maneiras de viver que me parecem estranhas ou pelo menos incompreensíveis aos meus olhos e entendimento, mas logo desisto, porque só com as minhas já tenho muito de que me ocupar. Provavelmente, eu é que sou esquisita...
quinta-feira, 30 de abril de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Canções da minha vida (XII)
Não sei bem por que razão me fui lembrar agora desta canção, que marcou a minha adolescência e juventude, num tempo em que, com a irreverência própria da idade, Brassens não podia faltar nos animadíssimos serões do meu grupo de amigos. Era a época em que cantávamos todos aos berros "quand je pense à Fernande, je bande, je bande, quand je pense à Félicie, je bande aussi..." e nos deliciava e envaidecia até ligeiramente saber que muita gente não percebia o que aquelas palavras queriam dizer.
Havia também os Moustakis, Ferrés, e companhia. Havia, sobretudo, em todos estes hinos, entoados na alegria ingénua e na despreocupação com que vivíamos, a vontade de quem quer e pode tudo, misturada com sonhos de amores eternos, corações palpitantes, paixões mais ou menos assolapadas, e a cabeça cheia de fantasias, hesitando diante de um sem fim de caminhos para experimentar e mundos para percorrer, na avidez e na surpresa da primeira vez.
Havia também os Moustakis, Ferrés, e companhia. Havia, sobretudo, em todos estes hinos, entoados na alegria ingénua e na despreocupação com que vivíamos, a vontade de quem quer e pode tudo, misturada com sonhos de amores eternos, corações palpitantes, paixões mais ou menos assolapadas, e a cabeça cheia de fantasias, hesitando diante de um sem fim de caminhos para experimentar e mundos para percorrer, na avidez e na surpresa da primeira vez.
Anos mais tarde, aluna do Institut Français, conheci Brassens de outra maneira, na sua vertente mais literária, de compositor-poeta. E aí era já uma visão mais séria, ou quase isso.
Esta canção - "quatre vingt quinze foi sur cent" -, há anos que não a ouvia, mas o refrão ainda o sei de cor; e hoje, não pude deixar de sorrir às muitas memórias boas que me trouxe. Tem uma letra deliciosa, "à Brassens". Aqui fica um bocadinho:
La femme qui possède tout en elle
Pour donner le goût des fêtes charnelles
La femme qui suscite en nous tant de passion brutale
La femme est avant tout sentimentale
Main dans la main les longues promenades
Les fleurs, les billets doux, les sérénades
Les crimes, les folies que pour ses beaux yeux l'on commet
La transportent, mais...
{Refrain:}
Quatre-vingt-quinze fois sur cent
La femme s'emmerde en baisant
Qu'elle le taise ou qu'elle le confesse
C'est pas tous les jours qu'on lui déride les fesses
Les pauvres bougres convaincus
Du contraire sont des cocus
A l'heure de l'uvre de chair
Elle est souvent triste, peu chère
S'il n'entend le cur qui bat
Le corps non plus ne bronche pas
Sauf quand elle aime un homme avec tendresse
Toujours sensible alors à ses caresses
Toujours bien disposée, toujours encline à s'émouvoir
Ell' s'emmerd' sans s'en apercevoir
Ou quand elle a des besoins tyranniques
Qu'elle souffre de nymphomanie chronique
C'est ell' qui fait alors passer à ses adorateurs
De fichus quarts d'heure
{au Refrain}
Pour donner le goût des fêtes charnelles
La femme qui suscite en nous tant de passion brutale
La femme est avant tout sentimentale
Main dans la main les longues promenades
Les fleurs, les billets doux, les sérénades
Les crimes, les folies que pour ses beaux yeux l'on commet
La transportent, mais...
{Refrain:}
Quatre-vingt-quinze fois sur cent
La femme s'emmerde en baisant
Qu'elle le taise ou qu'elle le confesse
C'est pas tous les jours qu'on lui déride les fesses
Les pauvres bougres convaincus
Du contraire sont des cocus
A l'heure de l'uvre de chair
Elle est souvent triste, peu chère
S'il n'entend le cur qui bat
Le corps non plus ne bronche pas
Sauf quand elle aime un homme avec tendresse
Toujours sensible alors à ses caresses
Toujours bien disposée, toujours encline à s'émouvoir
Ell' s'emmerd' sans s'en apercevoir
Ou quand elle a des besoins tyranniques
Qu'elle souffre de nymphomanie chronique
C'est ell' qui fait alors passer à ses adorateurs
De fichus quarts d'heure
{au Refrain}
segunda-feira, 27 de abril de 2015
A falta que o Vasco nos faz...
Faz um ano, foi um dia triste. Vasco Graça Moura deixou de estar connosco neste mundo, embora tenham ficado para sempre as suas palavras, as quais perdurarão até para além de nós.
Por mim, fazem-me agora muita falta as crónicas do DN (como esta, de Março de 2014 e ainda tão actual) e as quartas-feiras nunca mais foram iguais.
Diz Maria Alzira Seixo, uma das suas melhores amigas, que ele estará feliz onde estiver. Mas aqui, onde já não está, sobra a saudade.
Blues da Morte de Amor
já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida,
mas afinal não morri, como se vê, ah, não,
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.
a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.
há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete: — morrer ou não morrer, darling, ah, sim.
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida,
mas afinal não morri, como se vê, ah, não,
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.
a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.
há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete: — morrer ou não morrer, darling, ah, sim.
domingo, 26 de abril de 2015
Ruptura
![]() |
(Étienne Cabran)
|
Soneto do amor difícil
A praia abandonada recomeça,
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa...
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo a nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
Desencanto na curva do teu céu.
(David Mourão-Ferreira)
sábado, 25 de abril de 2015
Mal menor
Sinceramente, eu não gosto do PSD. Como a maior parte das pessoas do CDS, também preferia que esta coligação não existisse. No entanto, na actual conjuntura, ela era inevitável. E qualquer coisa é preferível a ver os socialistas deitar tudo a perder. Por mim, tenho a certeza absoluta que não quero voltar ao passado. E, como sempre, acredito em Paulo Portas.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Consolo
É assim há anos. A Sexta-feira é claramente o meu dia, uma espécie de oásis da semana, tempo de lentidão, de prazer e de encantos vários, com o fim de semana no horizonte e a possibilidade de corporizar vontades, ou de deixar as horas fluir, e sentir a alegria de saboreá-las sem pressa.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
O amor, sempre!...
Mesmo correndo o risco de poder ser considerada "suspeita", não posso deixar de falar aqui, uma vez mais, de Helena Sacadura Cabral.
Comecei por admirá-la à distância, mas hoje, por um daqueles inexplicáveis acasos que gostamos de considerar que estavam de algum modo "escritos na estrelas", tenho o prazer e o privilégio de a ter como uma amiga muito querida, de quem me sinto muito próxima e cúmplice, uma espécie de irmã mais velha com quem me entendo lindamente e me sabe muito bem rir, conversar, ou apenas estar.
Devo-lhe, já o disse muitas vezes, a minha iniciação no mudo dos blogues e tudo o que de bom essa novidade me revelou e acrescentou à minha existência. E muitas outras coisas que tenho aprendido com as suas palavras e o seu exemplo, embora possamos também muitas vezes discordar, o que é natural. E saudável. Senão seria demasiado "enjoativo".
A Helena é, de facto, uma pessoa especial, cheia de força e de energia, transbordante de vida. É sobretudo uma pessoas de afectos que, como ela própria diz, é o que todos procuramos, é nosso maior património e é o que nos salva quando tudo parece perdido. Porque afinal, para além da saúde, o que pode haver de mais importante que o amor, a amizade, a estima, o afecto, o carinho?
A propósito do seu mais recente livro, que acaba de chegar às livrarias, esteve na televisão com a alegria e a naturalidade que a caracterizam e, como sempre, vale a pena ouvi-la.
Aqui:http://www.tvi.iol.pt/programa/a-tarde-e-sua/53c6b3883004dc006243ce59/videos/--/ates--videos/video/5537d9620cf29846bc28b4a1/1

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