segunda-feira, 22 de junho de 2015

Divertida Mente



Sempre gostei de filmes de animação. Mas, nos últimos doze anos, é raro perder um. E acho que não exagero se disser que este Inside Out ("Divertida Mente", em português) é o melhor de todos eles.
É um filme magnífico, não só do ponto de vista técnico e da forma como é construído, mas também pela história que conta e o modo como o faz. Na verdade trata-se acima de tudo de um filme que nos toca, seja qual for a nossa idade, porque nos diz respeito e se refere a emoções que todos vivemos.
A ideia de que parte é simples e complexa em simultâneo: uma viagem ao interior da cabeça de uma menina pré-adolescente, Riley, com as emoções e sentimentos - alegria, tristeza, medo, raiva, e todas as outras  - a assumirem-se como protagonistas e a comandar os seus comportamentos e reacções, nas mais alegres ou  adversas circunstâncias. Mas fá-lo sabiamente, misturando na perfeição  melancolia e humor, sonho e  poesia.
Não me admira que tenha sido muitíssimo aplaudido no Festival de Cannes. É um filme com a qualidade a que a Pixar já nos habituou, mas é muito mais que isso. Não se trata de mais um filme de animação, mas antes de um excelente filme, que tem profundidade, inteligência e sentimento.
Sem dúvida o melhor que vi nos últimos tempos. Já era tempo de ver um bom filme, daqueles que se pode recomendar a toda a gente, e que é, de facto, imperdível.

domingo, 21 de junho de 2015

Chegou o Verão

 

Não é uma das minhas estações preferidas. É um tempo de excessos: de calor a mais, corpos peganhentos de suor e sal, moscas e bicharada, gente na rua, algazarra, confusão.
Mas porque tudo tem também um lado bom, o que eu gosto do Verão é a sua vertente mais langorosa, os dias enormes e o torpor de uma sesta, a quietude das noites que passam devagar, a despreocupação, como se tudo pudesse ficar para depois e aquele fosse apenas um longo intervalo, até que chegue Setembro e a vida comece outra vez.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Reviravolta(s)

 
Antes:
 - El profesor me ha suspendido porque me tiene manía.
 - Ya! Hasta que apruebes, lo único que te voy  dejar es respirar y te voy a tatuar la suela de la zapatilla en el culo por cuparle al professor.

Ahora:
 - El profe me ha suspendido porque me odia.
 - No te derrumbes cariño. Ahora mismo te compro la "play" y después nos vamos al cole con papi a montársela a ese cretino.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Os resultados dos exames


É todos os anos a mesma conversa. Com os maus resultados dos exames há sempre quem aproveite para apontar o dedo aos professores, à complexidade dos programas, aos métodos, ao stress dos momentos de avaliação. Fala-se logo nas dificuldades de aprendizagem. Na formação de professores. Na reflexão que tem que se fazer. E no que se passa na Finlândia (como se a nossa sociedade e a deles fossem de algum modo comparáveis...).
Imediatamente surge também a ideia de que o melhor é "acabar com eles". A educação é aliás um daqueles assuntos sobre os quais toda a gente opina como se entendesse muito bem aquilo de que fala. Nestas alturas aparecem inevitavelmente os que referem a “inutilidade destas provas, que só contribuem para a deformação do processo de ensino e para uma forte perturbação nas escolas, na vida de professores, alunos e famílias”. Estas são palavras de Lurdes Figueiral, a porta-voz da Associação de Professores de Matemática, citada pelo jornal Público. O que se pretende é que não se saiba o real estado de ignorância que soma e segue de maneira crescente. Alarmante, até. Que isto seja dito por uma professora parece-me ainda mais vergonhoso. Ou talvez não...
Quem está de facto por dentro destas coisas e assiste a conselhos de turma de avaliação de final de ano não pode deixar de ficar chocado com o modo conformista e negligente como os alunos passam com três e quatro negativas, sem saber coisa nenhuma e - pior ainda - sem ter feito nada. Ou quase nada. Porque "coitadinhos"... O que importa é passar. De qualquer maneira...
Sabe, também, que noventa por cento dos alunos não tem quaisquer dificuldades de aprendizagem e que hoje tudo serve de pretexto e de desculpa para fazer o menos possível, sem qualquer tipo de esforço ou empenho. Sem trabalho algum. E ainda que, contrariamente à ideia que se quer fazer passar, na comunicação social nomeadamente, os exames não são eliminatórios e apenas valem trinta por cento da média final. Que é importante uma avaliação que não seja feita exclusivamente pelo professor da disciplina, para verificar o que realmente foi aprendido ou não. Que quanto mais cedo se habituarem a situações em que são postos à prova, melhor os alunos se preparam para as milhentas situações do mesmo tipo que terão de enfrentar pela vida fora.
Por isso, para mim, deveria era haver exames a todas as disciplinas nos anos terminais de ciclo. Para moralizar os costumes. E para que o ensino e aprendizagem fossem algo sério e eficaz e não esta espécie de anedota em que este país se tornou. Ou que, se calhar, sempre foi... 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Um pedaço de mundo pelos meus olhos


Há uma magia qualquer nessa necessidade de fixar um momento, de o suspender no tempo e o fazer perdurar para lá da sua natural efemeridade. Uma fotografia é sempre uma visão pessoal do mundo, uma escolha, o sinal de uma emoção.
Nos últimos dias, estas imagens encheram-me  os olhos e a vida. Mas poderiam ser outras, muitas outras...



 
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Rosa-dos-ventos


É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

                         
                                   Miguel Torga


Contrariando a tendência natural de seguir para sul, é agora o norte que sobressai e se  revela, em ânsia de descoberta  que é também estranheza e desconcerto ante o desconhecido, vontade e estremecimento, arrojo e calafrio, porque o mundo - como a vida - é feito de muitíssimos caminhos.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Plenitude

 
Todas as idades têm o seu encanto, decerto, mas levei anos a acreditar que vivera aos trinta anos os melhores momentos da minha vida, tempo de descobertas várias, de equilíbrio e de consolidação.
E, no entanto, julgo hoje que a melhor fase, a mais plena, é esta de agora. Porque beneficio de tudo o que entretanto experimentei e aprendi, conheço-me melhor, sei mais claramente o que quero e o que não quero, ligo pouco ou nada ao que diz e pensa de mim quem não me importa, faço cada vez mais o que me apetece, vivo mais serena embora ainda inquieta e, acima de tudo, sinto-me muito bem na minha pele.