Há um prazer especial em voltar aos mesmos lugares, revisitá-los na exaltação do que já se conhece e pode ainda ser novidade e deslumbramento, tal e qual como quem ouve repetidamente a mesma canção e lhe encontra sempre um novo encanto.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Talento e simplicidade
Louane Emera é o nome artistico de Anne Peichert, a estrela do momento. Com apenas dezoito anos, esta jovem francesa nascida no norte do país - em Hénin-Beaumont, Pas de Calais, - recebeu a 20 de Fevereiro, na quadragésima edição do prémio máximo do cinema francês, o César da Actriz Revelação, pelo seu papel em La Famille Bélier.
Mas foi a participação no programa The Voice, em 2013, que lhe mudou vida. Depois disso, lançou um álbum, Chambre 12, em Março deste ano, que já vendeu 400 mil exemplares.
Cantar foi sempre a sua paixão. Com doze anos participara num outro concurso de talentos - L'école des stars -, com uma impressionante interpretação de ne me quitte pas, sobretudo tendo em conta a idade que tinha então.
O cinema, ao contrário, surgiu quase por acaso, através de um convite do realizador Éric Lartigau que, impressionado com a sua voz, a quis para protagonista do filme, ainda que fosse totalmente inexperiente em representação. Parece que foi uma boa aposta. Ainda não vi o filme, mas estou muito curiosa, até porque todos os comentários a dão como uma promessa do cinema e da canção.
E, no entanto, a vida de Louane Emera não deverá ter sido sempre fácil. É a quinta de seis irmãos que têm entre trinta e dezasseis anos, e que já não têm pai nem mãe. O pai morreu primeiro, em 2013, e a mãe cerca de um ano depois, em 2014, após longa doença. Curiosamente, a mãe de Louane era portuguesa. Por isso diz: Parfois j'en ai marre. Et quand ça ne va vraiment pas je vais au Portugal. J'ai de la famille là-bas.
Do que tenho lido e ouvido, a autenticidade de Louane, para além de uma voz de excepção, límpida e arrebatadora, é o que há nela de mais tocante. Je suis une fille comme les autres, disse numa entrevista. Ou: "a minha vida é que mudou. Eu continuo a ser a mesma".
Há em Louane Emera qualquer coisa que me lembra a Sara Tavares: têm ambas o mesmo tipo de começo e histórias pessoais complicadas, o que explica talvez uma certa candura e serenidade diante da vida, e um modo lúcido e humilde de ser, apesar do reconhecimento público.
Vamos ver como evolui...
Cantar foi sempre a sua paixão. Com doze anos participara num outro concurso de talentos - L'école des stars -, com uma impressionante interpretação de ne me quitte pas, sobretudo tendo em conta a idade que tinha então.
O cinema, ao contrário, surgiu quase por acaso, através de um convite do realizador Éric Lartigau que, impressionado com a sua voz, a quis para protagonista do filme, ainda que fosse totalmente inexperiente em representação. Parece que foi uma boa aposta. Ainda não vi o filme, mas estou muito curiosa, até porque todos os comentários a dão como uma promessa do cinema e da canção.
E, no entanto, a vida de Louane Emera não deverá ter sido sempre fácil. É a quinta de seis irmãos que têm entre trinta e dezasseis anos, e que já não têm pai nem mãe. O pai morreu primeiro, em 2013, e a mãe cerca de um ano depois, em 2014, após longa doença. Curiosamente, a mãe de Louane era portuguesa. Por isso diz: Parfois j'en ai marre. Et quand ça ne va vraiment pas je vais au Portugal. J'ai de la famille là-bas.
Do que tenho lido e ouvido, a autenticidade de Louane, para além de uma voz de excepção, límpida e arrebatadora, é o que há nela de mais tocante. Je suis une fille comme les autres, disse numa entrevista. Ou: "a minha vida é que mudou. Eu continuo a ser a mesma".
Há em Louane Emera qualquer coisa que me lembra a Sara Tavares: têm ambas o mesmo tipo de começo e histórias pessoais complicadas, o que explica talvez uma certa candura e serenidade diante da vida, e um modo lúcido e humilde de ser, apesar do reconhecimento público.
Vamos ver como evolui...
domingo, 16 de agosto de 2015
L'amour, toujours l'amour...
Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C’est le tien
C’est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelle
Et qui n’a pas changé
Aussi vrai qu’une plante
Aussi tremblante qu’un oiseau
Aussi chaude aussi vivant que l’été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort,
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi je l’écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Lá où tu es
Lá où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t’en va pas
Nous qui nous sommes aimés
Nous t’avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n’avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n’importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d’un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.
Jacques Prévert
sábado, 15 de agosto de 2015
Sem "vocação para o martírio"
Ainda ontem, depois de um animado jantar de amigos, pensava nesta coisa dos afectos, que têm na minha vida um lugar central, como provavelmente acontecerá com quase todas as pessoas.
Tenho um coração enorme, mas quem lá está ocupa um espaço muito grande e, por isso, não cabe toda a gente.
Há os que vêm para ficar, de quem eu gosto desmedidamente, e por quem sou capaz de tudo. São os que me ajudam a viver melhor, aqueles que me enchem a vida com mimos e cuidados e que, na sua singularidade toda especial, me fazem sentir feliz, me fazem falta, com quem gosto de estar e de falar, - apesar das minhas manias de liberdades e independências, de que a minha mãe tanto me "acusava" - e a quem quero sempre muito bem.
Há os que vêm para ficar, de quem eu gosto desmedidamente, e por quem sou capaz de tudo. São os que me ajudam a viver melhor, aqueles que me enchem a vida com mimos e cuidados e que, na sua singularidade toda especial, me fazem sentir feliz, me fazem falta, com quem gosto de estar e de falar, - apesar das minhas manias de liberdades e independências, de que a minha mãe tanto me "acusava" - e a quem quero sempre muito bem.
E depois, às vezes, também me engano, acredito em quem não devo, deixo-me levar pelo que parece mais do que pelo que é. Mas quando isso acontece, e passada a desilusão momentânea, o caminho segue igual. Porque no meu coração e na minha vida só está quem tem que estar. E quem o merece. É que, parafraseando uma amiga minha, também eu "não tenho vocação para o martírio..."
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Constância
Às vezes é também preciso contrariar os ímpetos mais imediatos, sentar-se calmamente, saber esperar. É um exercício que exige alguma paciência. Mas essa é, sem dúvida, uma minha virtudes...
(Fotografia de Maria Cristina Guerra)
Sem palavras
Há dias e noites assim, em que os sentimentos não chegam às palavras. Nessas alturas sobra a música. Hoje, é esta...
en el último trago nos vamos
quiero ver a que sabe tu olvido
sin poner en mis ojos tus manos
Esta noche no voy a rogarte
esta noche te vas de a de veras
que difícil tratar de olvidarte
sin sentir que tú ya no me quieras
Nada me han enseñado los años
siempre caigo en los mismos errores
otra vez a brindar con extraños
y a llorar por los mismos dolores
Tómate esta botella conmigo
en el último trago me besas
esperemos que no haya testigos
por si acaso te diera vergüenza
Si algún día sin querer tropezamos
no te agaches ni me hables de frente
simplemente la mano nos damos
y después que murmure la gente
Nada me han enseñado los años
Siempre caigo en los mismos errores
otra vez a brindar con extraños
y a llorar por los mismos dolores
Tómate esta botella conmigo
en el último trago nos vamos
terça-feira, 11 de agosto de 2015
O que vale a pena
Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O tempo não passa pela amizade. Mas amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há.
Há nas amizades verdadeiras uma aura de mistério, qualquer coisa de incompreensível e de inexplicável que faz delas uma espécie de benção, que nos enche a alma e a vida, e nos conforta o coração em dias sombrios, ou quando tudo parece virar-se do avesso e o mundo começa a girar ao contrário.
Vivem-se em total liberdade, mas tratam-se com cuidado e carinho. Têm por base a confiança inabalável, os sentimentos genuínos e a grandiosidade do afecto e, por isso, devagar se fazem também cumplicidade e partilha, na magia que faz os amigos de há pouco poder parecer que são já de há muito, e na certeza de saber que para lá dos silêncios e dos gestos alguma coisa nos liga, um laço invisível que se nos ata ao coração e que se acredita poder perdurar para além de tudo. Mas todas as pessoas, mesmo as que mais amamos ou admiramos, podem um dia desiludir-nos e magoar-nos.
Perguntamo-nos, então, quanto vale uma amizade. Por que será, afinal, que nos zangamos tanto, às vezes, por coisas maiores ou mais pequenas, até com quem nos quer bem? E quantas pessoas, das que nos são queridas, não foram já ficando pelo caminho, porque a determinada altura nos afastámos sem uma razão óbvia, ou sem conseguirmos encontrar um motivo suficientemente forte, e válido, que o pudesse explicar. Fomos deixando de nos falar e pronto. Por um amuo, um mal-entendido qualquer, que depressa dá lugar ao ressentimento, tantas vezes motivado por uma insignificância.
Já todos passámos por isto. Cada um de nós tem "o seu feitio" e eu não sou excepção, mas sou incapaz de prolongar uma zanga com as pessoas de quem gosto e que me importam. Essa é mesmo uma das minhas maiores debilidades. Sobra um incómodo, que me sufoca, e quero logo fazer as pazes. Tendo ou não razão. Se uma pessoa me ofende, prefiro dizer-lho, ainda que isso implique discutir o assunto de forma mais ou menos acalorada. É que, apesar de difícil, tentar pôr-se no lugar do outro e percebê-lo pode ser interessante. Importante, também. E pode valer a amizade. Afinal há tanta coisa que uma boa conversa, olhos nos olhos, permite esclarecer... Mas o que fazer quando até isso nos é negado?
(Miguel Esteves Cardoso)
Há nas amizades verdadeiras uma aura de mistério, qualquer coisa de incompreensível e de inexplicável que faz delas uma espécie de benção, que nos enche a alma e a vida, e nos conforta o coração em dias sombrios, ou quando tudo parece virar-se do avesso e o mundo começa a girar ao contrário.
Vivem-se em total liberdade, mas tratam-se com cuidado e carinho. Têm por base a confiança inabalável, os sentimentos genuínos e a grandiosidade do afecto e, por isso, devagar se fazem também cumplicidade e partilha, na magia que faz os amigos de há pouco poder parecer que são já de há muito, e na certeza de saber que para lá dos silêncios e dos gestos alguma coisa nos liga, um laço invisível que se nos ata ao coração e que se acredita poder perdurar para além de tudo. Mas todas as pessoas, mesmo as que mais amamos ou admiramos, podem um dia desiludir-nos e magoar-nos.
Perguntamo-nos, então, quanto vale uma amizade. Por que será, afinal, que nos zangamos tanto, às vezes, por coisas maiores ou mais pequenas, até com quem nos quer bem? E quantas pessoas, das que nos são queridas, não foram já ficando pelo caminho, porque a determinada altura nos afastámos sem uma razão óbvia, ou sem conseguirmos encontrar um motivo suficientemente forte, e válido, que o pudesse explicar. Fomos deixando de nos falar e pronto. Por um amuo, um mal-entendido qualquer, que depressa dá lugar ao ressentimento, tantas vezes motivado por uma insignificância.
Já todos passámos por isto. Cada um de nós tem "o seu feitio" e eu não sou excepção, mas sou incapaz de prolongar uma zanga com as pessoas de quem gosto e que me importam. Essa é mesmo uma das minhas maiores debilidades. Sobra um incómodo, que me sufoca, e quero logo fazer as pazes. Tendo ou não razão. Se uma pessoa me ofende, prefiro dizer-lho, ainda que isso implique discutir o assunto de forma mais ou menos acalorada. É que, apesar de difícil, tentar pôr-se no lugar do outro e percebê-lo pode ser interessante. Importante, também. E pode valer a amizade. Afinal há tanta coisa que uma boa conversa, olhos nos olhos, permite esclarecer... Mas o que fazer quando até isso nos é negado?
Enfim, a vida é demasiado curta e, no fundo, o mais importante é saber guardar os amigos verdadeiros coladinhos ao coração e levá-los connosco vida fora, para lá de todas as mágoas, de todos os silêncios e indiferenças, de todas as histórias reais, imaginadas, ou forjadas por quem nos quer mal.
E acreditar que o tempo traz sempre consigo a verdade de todas as coisas. E que ter quem acredite em nós faz a vida valer a pena...
E acreditar que o tempo traz sempre consigo a verdade de todas as coisas. E que ter quem acredite em nós faz a vida valer a pena...
Subscrever:
Mensagens (Atom)





