sábado, 10 de janeiro de 2015

Cuéntame cómo pasó

Eu, que não sou de ver filmes na televisão, nem sequer de acompanhar séries, há muito que não perco cada  nova temporada de Cuéntame cómo pasó, que se iniciou em 2001 e começou esta quinta-feira a sua décima sexta temporada.
Nela se retrata a vida de uma família espanhola de classe média, que vamos acompanhando ao longo dos anos, ao mesmo tempo que assistimos às mudanças políticas e sociais de Espanha, numa época fundamental da sua história (a série começa em 1968 e vai neste momento em 1983, no auge da movida madrileña e após o primeiro ano de governo socialista).
Mas, além de tudo isto, há que salientar a qualidade dos actores, com especial destaque para o par principal,  Imanol Arias e Ana Duato (Antonio e Mercedes) que com seriedade, humor, ou ironia, mas acima de tudo com um imenso talento nos fazem esquecer que apenas representam um papel e é como se os Alcántara fossem nossos conhecidos ou fizessem parte da família.
É talvez o que explica  que, apesar de reproduzida em Portugal, em Itália e no Equador, nunca tenha atingido nestes países o mesmo sucesso nem os níveis de audiência da versão original.
Para mim é ainda mais: é também uma maneira de manter o "meu" espanhol em dia e de me deliciar com as expressões típicas de cada personagem, que vão de "ay señor, senõr" da abuela ao "me cago en la leche" do Antonio.
Por isso, nas próximas vinte quintas-feiras, mais ou menos, há que ligar a TVE pelas nove; para ver ou para gravar, quinta é dia de Cuéntame. Além de um prazer, é já um hábito. E dos bons...

 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Resistir

 
 
Na sequência dos últimos acontecimentos em França, que também nos dizem respeito, ouço o apelo à vigilância, à unidade, à mobilização e, inevitavelmente, vem-me à memória o Chant des Partisans. 
 
  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Charlie - nous sommes tous français

 
 


O título desta crónica não é muito original – mas é o que me apetece escrever. É mesmo o que devo escrever. Não porque aprecie especialmente o Charlie Hebdo. Na verdade, nunca gostei muito da publicação, cujo humor roça por vezes a boçalidade e onde se chegava a desenhar com um sentido pornográfico não muito diferente do nosso desaparecido José Vilhena. Mas isso não interessa. O que interessa é que as balas hoje disparadas na redacção do Charlie Hebdo foram balas disparadas contra todos os jornalistas, contra todos os que defendem a liberdade de expressão, contra todos os que apenas desejam viver numa sociedade aberta, tolerante e plural.
A tragédia não é só do Charlie Hebdo, nem só dos parisienses ou dos franceses. É do jornalismo mundial. É de todos os homens livres.
Na verdade estamos todos de luto. Luto pelos que morreram, os jornalistas e também os polícias. Luto por termos ficado todos menos livres. Isso mesmo: menos livres. No dia de hoje, por todo o mundo, vamos estar solidários e indignados; amanhã muitos pensarão duas vezes antes de escreverem, de filmarem, de reportarem. E depois de amanhã até pode acontecer que surjam mais leis anti-blasfémia, que mais gente veja na crítica a certas práticas dos islamistas uma condenável “islamofobia”. Já aconteceu, está a acontecer, é possível que aconteça ainda mais.
(...)
As manifestações de intolerância dos radicais islâmicos, que numa altura de sobressalto todos condenamos, não podem levar-nos, passada a indignação, a tratar de encontrar explicações, desculpas ou remédios. Temos de poder ser livres de nos pronunciar sobre a religião islâmica com o mesmo grau de liberdade com que nos pronunciamos sobre outras religiões.
Tenhamos pois coragem.  (...)
Honremos as palavras de Stéphane Charbonnier, aliás Charb, desenhador e director do Charlie Hebdo, hoje assassinado: “Prefiro morrer de pé do que viver de joelhos”.
 
De tudo o que li sobre o que hoje aconteceu, escolhi este excerto do texto de José Manuel Fernandes, no Observador; Porque não encontro palavras...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Descansar

 

Em dias de cansaço ou emoção extremas, quando até as palavras me faltam, é a música que me sossega, e os olhares dos outros sobre o mundo que me reconciliam com a vida.

 
(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)
 
 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Enamorada de Sevilla

 
 
  
De repente deu-me uma saudade enorme desta cidade de que eu tanto gosto, e onde preciso de ir muitas vezes inebriar-me de luz, de sol e de alegria. 
 

Tudo ao mesmo tempo


Como se não bastasse o meu computador, que há muito andava a pedir reforma, ter morrido para o mundo há dois dias,  - depois de eu lhe entornar um copo de chá verde por cima -, o que me obrigou a ter de comprar outro à pressão, ontem foi o telemóvel que resolveu avariar; e o arranjo ficava  ao preço de um novo. Resultado: em três dias, sem mais nem menos, duas despesas extra.
Começo assim o ano de computador e telemóvel novos, o que mesmo sendo involuntário pode ser que seja auspicioso e prometa um ano em grande. E, entretanto, vou rezando a todos os santinhos para que daqui a dois dias não se avarie a televisão, ou o frigorífico, ou a máquina de lavar, que parece que estas coisas, quando começam, vai tudo a eito.
Enfim, ano novo, mês novo, e eu ainda mais pelintra  do que o costume; mas não me queixo de nada. Tenho óptimos amigos e muitas coisas boas que são razões mais que suficientes para me sentir feliz. O resto vai-se resolvendo dia a dia. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Incerteza


Há uma beleza própria do que não tem propósito e uma alegria que vem com ela. O toque simples de uma mão na face, um telefonema sem assunto, um passeio sem destino, um poema secreto, um assobio, uma pedra redonda guardada no bolso. Coisas que não servem senão para sorrir e sentir que a vida é ainda cheia de mistérios.
 
                                     Nuno Camarneiro
 
 
O que um Ano Novo tem de bom e mau em simultâneo é a incerteza de não sabermos o que nos espera, é a carga de mistério que tem o desconhecido que há-de vir, como tudo o que queremos sem saber ainda o que é, e nos atrai e assusta em igual intensidade e dimensão.
 
(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)