Eu, que não sou de ver filmes na televisão, nem sequer de acompanhar séries, há muito que não perco cada nova temporada de Cuéntame cómo pasó, que se iniciou em 2001 e começou esta quinta-feira a sua décima sexta temporada.
Nela se retrata a vida de uma família espanhola de classe média, que vamos acompanhando ao longo dos anos, ao mesmo tempo que assistimos às mudanças políticas e sociais de Espanha, numa época fundamental da sua história (a série começa em 1968 e vai neste momento em 1983, no auge da movida madrileña e após o primeiro ano de governo socialista).
Mas, além de tudo isto, há que salientar a qualidade dos actores, com especial destaque para o par principal, Imanol Arias e Ana Duato (Antonio e Mercedes) que com seriedade, humor, ou ironia, mas acima de tudo com um imenso talento nos fazem esquecer que apenas representam um papel e é como se os Alcántara fossem nossos conhecidos ou fizessem parte da família.
É talvez o que explica que, apesar de reproduzida em Portugal, em Itália e no Equador, nunca tenha atingido nestes países o mesmo sucesso nem os níveis de audiência da versão original.
Para mim é ainda mais: é também uma maneira de manter o "meu" espanhol em dia e de me deliciar com as expressões típicas de cada personagem, que vão de "ay señor, senõr" da abuela ao "me cago en la leche" do Antonio.
Por isso, nas próximas vinte quintas-feiras, mais ou menos, há que ligar a TVE pelas nove; para ver ou para gravar, quinta é dia de Cuéntame. Além de um prazer, é já um hábito. E dos bons...











