sábado, 7 de março de 2015

O caminho


Não tenho memória alguma daquele dia 7 em que vi o mundo pela primeira vez; só sei que era quinta-feira, faltavam quinze minutos para as nove e já estava escuro.
Ainda assim sou mais do sol que da lua, por muito que me seduza a noite e o seu envolvente mistério.
Hoje, começa realmente para mim a Primavera, e o dia nasceu abençoado, e trouxe-me tudo aquilo de que gosto: claridade e alegria, muito sol, mar, solidão, companhia. Nem cheguei a sentir a falta das frésias amarelas, porque as consegui ver no sorriso da minha mãe que, mesmo um pouco mais desvanecido, continua a iluminar-me a alma e a vida.
E se, desde aquela distante quinta-feira até hoje, é já grande o caminho percorrido, não tenho de que me queixar, apesar de haver nele algumas inevitáveis zonas mais sombrias.
E porque sou, mais que tudo, dos afectos, é o amor que  ocupa nele o maior e melhor lugar. Por isso, a presença e os abraços dos amigos são sempre o meu melhor presente, o meu aconchego e a minha força.
E assim, com o peito cheio, e entre gaivotas, céu e mar, sinto o prazer de viver, enquanto ecoam canções na minha cabeça: e com olhar esquecido/ no encontro de céu e mar/ bem devagar ir sentindo/ a terra toda rodar; e sou feliz...

(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Canções da minha vida (VII)


Num ano, acontece muita coisa. Hoje já nada é o que foi, sem que isso queira necessariamente dizer que agora é pior que antes; é apenas diferente.
Mas cada ano, cada dia, é sempre tempo de outro recomeço, que a Primavera  encoraja e potencia...

quinta-feira, 5 de março de 2015

Detalhes

 

Com o tempo, a vida ensinou-me a não me deixar levar pela má-língua alheia e o que  a motiva, mas apenas simplesmente a observar. Não é nada difícil, para quem, como eu, sempre foi dada à minúcia e é muitíssimo atenta às pequenas coisas aparentemente insignificantes que podem, ainda assim, fazer toda a diferença. Porque é de facto nos pequenos pormenores que as pessoas mais se revelam.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Para a Rosa

 
É claramente uma mulher de Peixes, com tudo o que isso significa, e só podia ter nascido neste magnífico mês de Março. Talvez por isso, é uma das pessoas com quem me entendo na perfeição, sem precisar de muitas palavras.
Apaixonou-se por Lisboa, fez dela a cidade da sua vida, e percebeu então o verdadeiro significado da nossa palavras saudade. Tem pela Nossa Senhora de Fátima uma devoção semelhante à que eu tenho pela Virgen del Rocío e ensinou-me, entre outras coisas, a compreender e a apreciar a sua língua, a sua cultura, a gostar mais do seu país e a verificar que no fim de contas temos muito em comum, apesar das fronteiras que nos separam. Hoje, já é um bocadinho portuguesa, assim como eu sou também um pouco espanhola. Somos diferentes, mas muito amigas.
4 de Março é  o seu dia e hoje marca-o um número muito redondo, lindo, que encerra as milhentas histórias, boas e más, que têm todas as vidas.
Parabéns, Rosa!...
 
 

terça-feira, 3 de março de 2015

Canções da minha vida (VI)

 
 

Há também os dias em que não quero saber de nada, nem ver ninguém; e páro o tempo, e viro-me para dentro, e retraio-me em silêncio e em desamparo do mundo e de mim. É então que a música me faz a melhor companhia. Mas tem que ser francesa, ou brasileira, porque é nelas que encontro músicos/poetas que me aconchegam a alma, seja Brel, Chico, ou Vinícius...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Uma questão de civismo e um actor de excepção


Diogo Infante, não o escondo,  é para mim o melhor de todos os nossos actores, ao nível dos melhores de Hollywood, ou mesmo superior a eles. Não lhe falta nada: tem a sensibilidade e a entrega, o profissionalismo, a voz e a figura, o talento e a ousadia. Tudo em doses certas, superlativas até.
Isto faz com que qualquer coisa que ele faça valha sempre  a pena ver, porque é garantia de qualidade. O público reconhece-o, enche-lhe as salas e aplaude-o de pé, longamente. Tenho mais dúvidas que o país político (habituado a dar pouca ou nenhuma importância à cultura) lhe dê o devido valor e o tratamento merecido, que as honras costumam ir apenas para os futebolistas e as vedetas televisivas, elevadas à categoria de estrelas de forma meteórica, com razão ou sem ela.
Na sua página do Facebook, o Diogo escreveu um dia destes:
Este foi o ano em que celebrei 25 anos de carreira!
A "Ode Marítima" e "Cyrano", foram duas prendas maravilhosas que me fizeram crescer como actor e como homem. A todos os que me têm acompanhado nesta viagem incerta mas fascinante, o meu obrigado...

Depois de ver a "Ode Marítima" duas vezes e de  a ter considerado a melhor performance que vi do Diogo até hoje, tinha uma enorme curiosidade em relação a "Cyrano".  Fui e não me arrependi. Porque Diogo Infante é sempre enorme, excepcional, e é-o também como "Cyrano", com destaque para cena final, que chega a emocionar-nos deveras. No entanto, os restantes actores  que com ele contracenam são muito "fraquinhos" e, para mim, que conheço muito bem o original, penso que grande parte de poesia do texto se perde nesta adaptação e tradução para português.
Diria que vale a pena ver a peça, mas não me pareceu sublime, e apenas a interpretação de Diogo Infante a salva da mediania.
A sessão em que estive presente foi além disso marcada por um incidente que o Observador noticiou: em plena actuação, uma espectadora sentada na primeira fila que não parava de utilizar o telemóvel teve de ser posta na ordem pelo próprio Diogo Infante, com a classe que o caracteriza.
De facto, a falta de educação e de civismo vão-se tornando cada vez mais comuns. Uma vergonha!...

domingo, 1 de março de 2015

O melhor mês

  
Chega Março e a vida muda. Desperta a natureza e os sentidos  ficam mais atentos a todos os perfumes, cores e sons. Em Março volto sempre a nascer, na verdadeira plenitude do que a palavra encerra.
É claramente o meu mês, o mais promissor e apetecido, na luz intensa que regressa, na claridade mansa dos dias e na frescura das manhãs e fins de tarde em que encontro uma contagiante exaltação que me faz querer tudo e acreditar.
Março revitaliza-me e enche-me de força, de energia, de boa-disposição. Março é, também para mim,  promessa de vida no meu coração.
 
(Fotografia de Juan José Troyano)