terça-feira, 7 de abril de 2015

O lado bom de todas as coisas


Um acaso menos feliz fez-me hoje ir ao Estoril ao fim do dia. Pude assim, inesperadamente, deter-me uns minutos silenciosa e quieta no azul acinzentado da quase noite, olhar a imensidão do horizonte, respirar o mar. Foi um momento muito breve, mas bastou para me apaziguar das atribulações que o antecederam e tudo me parecer, então, voltar ao seu lugar.
E pensei que  no fundo há sempre um lado bom, e que é sem dúvida também por herança materna que consigo descobri-lo com facilidade em todas as coisas e em  todos os instantes. Ou quase todos...

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Canções da minha vida (XI)


 
Houve uma época, pelos anos oitenta, em que me apaixonei seriamente pela música brasileira. Vi, ao vivo, os maiores cantores/compositores e até outros, menos bons: Chico, Caetano, Milton, João Gilberto, Simone, Gal, Bethânia, Nara Leão; e também Ney, Alceu Valença, Djavan... Alguns mais que uma vez.
Já não fui a tempo de Elis Regina, nem de Vinícius, mas nem por isso os ouvi menos. Há pois muitas canções com sotaque brasileiro que marcam a minha vida. Esta é apenas uma delas. E a voz de Elis torna-a inigualável.
No fundo, todos temos, tivemos, teremos na(s) nossa(s) história(s) momentos em que descobrimos  um sorriso quente que inebria, entontece, e nos deixamos fascinar.

domingo, 5 de abril de 2015

A alegria da Páscoa


Uma Páscoa assim, cheia de luz e de sol como esta, enche-me o coração. E, no entanto, todos os anos ela se assemelha e se distingue das Páscoas anteriores. Há os rituais e  as contingências, que podem ir variando com o tempo. O essencial mantem-se: emocionam-me as velas, os sinos, os glórias e as  aleluias, os cânticos plenos de júbilo e de exultação. Comovem-me e enternecem-me os afectos, os beijos e abraços, os bons sentimentos. A Páscoa toca-me muito mais que o Natal. E não está tão corrompida pelo consumo.
Não é por acaso que ela coincide com a Primavera, a renovação e a plenitude do recomeço, de que os ovos e os coelhos são os símbolos pagãos, em harmoniosa coexistência com o triunfo sobre a morte e o lado mais espiritual das celebrações.
Mas todos os momentos intensos da vida sentem-se sobretudo pelo lado de  dentro; e nunca precisam de muitas palavras.

sábado, 4 de abril de 2015

Ousar

 
Muere lentamente quien no viaja,
quien no lee, quien no escucha música,
quien no halla encanto en si mismo.

Muere lentamente quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente quien se transforma en esclavo del habito,

repitiendo todos los días los mismos senderos,
quien no cambia de rutina,
no se arriesga a vestir un nuevo color
o no conversa con desconocidos.

Muere lentamente quien evita una pasión
Y su remolino de emociones,
Aquellas que rescatan el brillo en los ojos
y los corazones decaidos.

Muere lentamente quien no cambia de vida

cuando está insatisfecho con su trabajo o su amor,
Quien no arriesga lo seguro por lo incierto
para ir detrás de un sueño,
quien no se permite al menos una vez en la vida

 huir de los consejos sensatos…

¡Vive hoy! - ¡Haz hoy!
¡Ariesga hoy!
¡No te dejes morir lentamente!
¡No te olvides de ser feliz!



                                                          Pablo Neruda

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Deus feito homem

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O Cristo Amarelo, de Paul Gauguin (1889)

É o mais bonito texto que li hoje. De Pedro Correia, no "Delito de Opinião". E porque me parece que vale mesmo a pena conhecê-lo, aqui o deixa na íntegra:


Deus feito homem da gruta à cruz
 
 
por Pedro Correia, em 03.04.15
 
 
«Jesus chorou.»
João, 11-35 (o versículo mais curto da Bíblia)
 
A mensagem arrebatadora do Evangelho - e aquela que resume toda a essência do cristianismo - é a de um Deus que assume a plenitude da condição humana. Com os seus luminosos momentos de alegria, os seus lampejos de júbilo, as suas inevitáveis dores, a sua irrenunciável agonia. Como se a missão do criador ficasse incompleta sem esta experiência radical de abraçar por inteiro o ser débil, indeciso e angustiado que o barro divino moldou.
Até ao fim dos séculos, Jesus será inseparável da circunstância deste percurso terreno em que voluntariamente se irmana ao mais comum dos homens. Nasce pobre, numa gruta. Enaltece os humildes. Elege simples trabalhadores como discípulos. Rejeita sem vacilar o ilusório fulgor dos bens materiais. Perdoa os pecadores: «Eu não vim para condenar o mundo, mas para o salvar.» (João, 12-47). Enfrenta os fariseus com palavras tão actuais na manhã de hoje como há dois mil anos: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade.» (Lucas, 11-39). E não hesita em dar a mais humana das interpretações à pétrea Lei de Moisés: «O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado.» (Marcos, 2-27).
Condenado sem apelo nem recurso, renegado pelos seus, vilipendiado pela multidão que aclama Barrabás, confrontado perante a prepotência de Caifás e a cobardia moral de Pilatos, crucificado entre dois salteadores como um delinquente pelo crime de blasfémia. Deus feito homem num mundo de homens que sonham ser deuses.
Pouco antes confessara aos discípulos em Getsemani que sentia «uma tristeza de morte». E ali mesmo implora numa prece que poderia brotar da voz interior de qualquer de nós: «Pai, tudo Te é possível, afasta de Mim este cálice!» (Marcos, 14-36).
Um cálice que, no entanto, beberá até ao fim. Imerso na condição humana da gruta à cruz.

Recolhimento

A Semana Santa atinge agora o seu momento mais significativo, misto de silêncio, solenidade e reflexão.
E comigo, em momentos assim, em que a fé se vive de maneira mais intensa, como em todos os outros, está a Virgem do Rocío, que sempre me guia e me acompanha.
 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Abril

 
Aparte de otras cosas, en abril las lilas y en mayo las rosas
 
Agora sim, aí está a Primavera, toda esplendor e deslumbramento. Este é, mais que qualquer outro, o tempo de acreditar. De ser feliz...
 
(Fotografia de Juan José Troyano)