segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Desenlace



Passada a campanha e as eleições, a vida retoma o seu ritmo habitual. O que quero agora, o que eu preciso, é de um bocadinho de silêncio.
Não posso, no entanto, deixar de fazer um breve balanço do que vi e vivi nos últimos dias. Para mim tudo isto foi uma novidade, com muitas coisas positivas e outras negativas, como sempre acontece, mas que constituiu, ainda assim, uma interessante e significativa aprendizagem.
No desfecho, parece-me extraordinário, - mas nem é propriamente uma surpresa, - o facto de a comunicação social omitir, quase não mencionando, a notável vitória do CDS que, com poucos meios e uma "gestão moderada das expectativas", conseguiu isto: passar de uma para cinco câmaras. E todas com maioria absoluta. Sem cartazes, nem panfletos, nem canetas, ou t-shirts, ou sacos de plástico e todo esse folclore. Apenas falando com as pessoas, ouvindo-as, estando perto delas. É certo que perdemos algumas juntas de freguesia em Lisboa, das quais destaco três: Alvalade, Arroios e Beato, cujas campanhas acompanhei de muito perto e sei, por isso, que a dedicação e o trabalho desenvolvido pelos candidatos merecia bem mais e melhor do que os resultados obtidos. Mas estas coisas são assim mesmo. E é, justamente, esse exemplo de entrega e de perseverança a melhor lição que retiro destes dias. É a paixão com que vi o Diogo Moura, o Júlio Sequeira, e tantos outros, trabalharem por aquilo em que acreditam, com sacrifício da(s) suas(s) vida(s) pessoais, dando o melhor de si pelo bem de todos que me faz considerar que, apesar de tudo, o esforço valeu a pena.
Têm a mania de tentar minimizar o CDS, mas o CDS persiste, firme, na defesa daquilo em que acredita, como é próprio de quem é grande. E, com a mesma sensatez e humildade com que fizemos esta campanha, havemos de continuar a demonstrar que o CDS faz falta a Portugal.
Hoje, o que domina as notícias é a vitória socialista, que a cidade recebe envolta em nevoeiro.
Mas há outros vencedores. Paulo Portas e o CDS têm motivos para estar de cabeça erguida e, com um novo alento e a mesma paixão, continuar... sempre!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Diana


Há dezasseis anos, eu também estava em Paris, naquele dia 31 de Agosto de 1997. Regressei de noite. E foi já em Lisboa que soube da notícia; e que acompanhei, chocada como o resto do mundo, o que se lhe seguiu.
Cinco anos antes, em Londres, tinha podido vê-la, completamente por acaso. E esse encontro fortuito impressionou-me deveras. Era muito mais alta, bonita e elegante do que em qualquer imagem, ou fotografia. Grande parte do seu encanto e singularidade residiam na peculiar mistura de timidez, sedução, fragilidade e ousadia, que faziam dela uma personalidade controversa, como eu tanto gosto. E profundamente só, também, um pouco perdida, como se andasse sempre à procura  de si e de um sentido para a vida, o que a tornava menos "princesa" e mais mulher. E lhe dava aquela aura de mistério que, associada a uma morte trágica e prematura, potenciou o mito.
Como quase toda a gente, não lhe sou imune. Nem indiferente. Foi talvez um pouco de tudo isso que me fez ir ao cinema. E Naomi Watts, claro, de quem também gosto muito, que faz o que pode para interpretar Diana o melhor possível. É uma ingrata tarefa. E que não é de todo conseguida, na minha opinião. Porque Diana era inimitável; e porque está ainda muito presente nas nossas memórias.
O filme, que se centra nos dois últimos anos da sua vida, explora a suposta relação amorosa com o médico paquistanês que se diz ter sido o seu grande amor, em tom telenovelesco e mais ou menos "lamechas" com  ne me quitte pas em fundo e uns apontamentos da sua faceta humanitária, para lhe dar maior veracidade.
Se aquela história de amor é verdade ou mentira não é de modo algum relevante. Mas, a ter sido verdade, não terá de certeza sido nada assim. Enfim, tudo no filme soa a ficção, fazendo-se passar por uma espécie de documentário e o resultado é muito pobrezinho e até confrangedoramente entediante. Fazer um filme sobre Diana não será fácil. Mas ela, ainda assim, merecia melhor. E, já agora, Brel também.
Este é, pois, um filme que eu não recomendo...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Com o Outono à porta



Agora sim, não há dúvida, o  Outono está aí, pujante e manifesto. E eu adoro as primeiras chuvas e a beleza nostálgica da sua chegada.
Nestes dias, lembro-me sempre de Paul Verlaine e desta sonoridade, dolente, arrastada. Porque o Outono também é isto:

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um amor imenso



Uma das coisas boas desta campanha, entre outras menos boas, é a possibilidade que me dá de viver intensamente a minha cidade em pleno dia, com tempo e de olhos limpos, na agitação das horas que se vivem a correr, na azáfama da sua rotina urbana, numa pressa não se sabe de quê e para quê, numa  vida que se vai tornando mais lenta à medida que nos aproximamos do rio, como se a tranquilidade silenciosa e quieta do Tejo fosse sintoma de uma felicidade antecipada e conforto de um colo que é berço e pertença e essência de mim.
Ontem, depois do debate, depois de durante duas horas ouvir falar dela, precisei de sentir-lhe o pulsar, como dois corações que batem encostados um ao outro. E fiz aquilo de que eu tanto gosto: caminhar pelas ruas sem destino certo e a observar tudo devagar: as pessoas, os lugares,  os recantos únicos e meio escondidos, o pitoresco e o banal. Lisboa é uma cidade com alma, sedutora e misteriosa como qualquer mulher. E ao vê-la assim, em todos os seus cambiantes, na sua romântica beleza, não posso deixar de sentir uma satisfação imensa por lhe pertencer e ela pertencer-me também; e vivermos este namoro tão antigo, que se me cola à pele e se me entranha no corpo e me faz sentir bem.
E então é como se a visse pela primeira vez. E volto  a apaixonar-me por ela. E comovo-me, como sempre, com a mágica doçura do seu entardecer.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Morreu mais um poeta...



Foi pela blogosfera que soube da notícia. Nunca consigo evitá-lo: quando morre um poeta, penso sempre que ficamos todos um pouco mais pobres. Hoje, foi António Ramos Rosa. Tinha 88 anos. Como a minha mãe.
Os poetas falam-nos de amor. Da vida. E parece-me que não pode haver melhor forma de homenagear um poeta do que fazer perdurar as suas palavras.
Não Posso Adiar o Amor         

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

domingo, 22 de setembro de 2013

Livre-nos Deus...

Com papas e bolos...


Paulatinamente, Sócrates vai regressando à vida política. Apoiado pelos seus esbirros e beneficiado pela inépcia arrepiante de Seguro, aí está ele, pezinhos de lã, pedindo um «encore». Ele é o tempo de antena na RTP, ele é os «estudos» em Paris, ele é as fotos manipuladas ao milímetro, ele é a bonomia cúmplice dos «socratistas» de serviço, ele é, mais recentemente, o livro sobre a tortura (um tema criteriosamente adequado), com a apresentação de Lula e sob a égide (o Expresso não explica bem esta égide, mas o livro é «sob a égide», pronto) da Fundação Mário Soares. A tortura parece ser o tema do mestrado de um homem que há bem poucos meses apresentava sinais iniludíveis de trapaça da grossa na obtenção da sua licenciatura. Mas isso agora não interessa nada, diria a Teresa Guilherme.
Neste país particular onde se misturam as elites que recalcitram com o facto de os portugueses votarem mal, com as massas que, se calhar, dão razão às elites, tudo se passa como as correntes eternas dos cursos de água que acabam sempre por levar água aos moinhos que precisam dela. Relativamente a Sócrates, e no que me diz respeito, já me choca menos o percurso fáctico de um inescrupuloso primeiro-ministro que conduziu este país à conhecida tragédia em que vivemos, do que a facilidade com que as pessoas vão tolerando a possibilidade muito forte de virmos a ter esta criatura, de má memória, nos destinos do nosso país. Faz-me uma grande confusão como é que há gente que não quer, ou não consegue, admitir que este homem foi a causa próxima da situação trágica em que nos encontramos. Porque os outros, a plateia do costume, mormente ao nível da comunicação social, dá para perceber. É, enfim, o tempo das papas e bolos. Para os tolos que todos nós insistimos em ser.
post não é meu, é indecentemente "roubado" a um blogue que eu gosto de ler: Espumadamente, de Nelson Reprezas. Mas achei-o tão brilhante, que não pude deixar de o partilhar. 
De resto, este é mais um blogue que eu recomendo. O Nelson tem um humor inteligente e corrosivo e um olhar crítico, irónico e até por vezes satírico relativamente ao que se vai passando. O blogue tem nove anos de existência, quase cinco mil posts e vale a pena lê-lo, concordando ou não com o que lá se diz. Por isso, para quem não o conhece ainda, sugiro uma visita...