Definitivamente, eu não gosto mesmo nada de tatuagens. Não consigo! Há modas que não me convencem de modo algum, vista a questão seja de que perspectiva for. E há coisas, também, em relação às quais eu me confesso de uma intransigência sem limites, desproporcionada, quase irracional.
Dantes, quando eu era pequena, as tatuagens eram todas em forma de coração e tinham mensagens similares, que passavam invariavelmente por uma inscrição do género: "amor de Mãe - Angola 1973". Hoje, há de tudo um pouco e para todos os gostos: desde a "Sininho" à execrável "Hello Kitty", passando por frases pseudo-profundas como: All you need is love, símbolos árabes ou caracteres japoneses, golfinhos no ombro, rosas no tornozelo, estrelas na nuca ou no pescoço, flores no pulso, o nome do(a) namorado(a) nos lugares mais inconcebíveis, até aos desenhos personalizados e pretensamente originais, mas que de inovador têm muito pouco. E, no entanto, a diversidade não veio melhorar nada. Pelo contrário. O facto de ser uma moda que tem agora tantos seguidores, tornou-a mais banal e corriqueira e, por isso mesmo, ainda mais detestável. Com a agravante de que aquela porcaria nunca mais sai.
Quando penso em tatuagens, ou quando me entram pelos olhos dentro, vem-me sempre à ideia uma canção brasileira e a voz, magnífica, de Luís Represas: "Porque gado a gente marca (...) mas com gente é diferente..."
Falam-me de "arte" e de mais não sei o quê e eu não encontro ali beleza alguma. Apenas consigo vê-las no que têm de mais "chunga". Há em todas as tatuagens um toque qualquer de vulgaridade, que as torna, aos meus olhos, todas iguais. Um bocadinho exibicionistas, até.
E não apenas em casos extremos, de tatuagens enormes, que ocupam grandes extensões do corpo. Refiro-me a todas; e, por isso, também, àquelas mais ou menos simples, em lugares recônditos, acessíveis apenas a alguns olhares, em circunstâncias de maior intimidade. Porque não há tatuagens discretas. É sempre qualquer coisa que está a mais, uma espécie de borrão, uma mancha que se podia ter evitado. E já vi corpos lindos, que perdem a sua absoluta perfeição, porque, num cantinho qualquer, lá está aquele defeitozinho a dizer "olá, cá estou eu", confirmando a ideia de que "no melhor pano cai a nódoa".
Consigo, apesar de tudo, amar quem tem uma tatuagem? Claro que sim, porque às vezes o amor sobrepõe-se a tudo e, então, a questão passa a ser insignificante. Não é pois caso para gostar menos de alguém só por causa de uma tatuagem, mas, olhando para ela, apetece-me sempre dizer: "Serias tão mais perfeito se não tivesses isso aí..."
Chamem-me beta, tia, snob, o que quiserem, mas não consigo olhar para uma tatuagem sem a achar uma "piroseira".
Enfim, parafraseando a Imperatriz Sissi, de um blog a que acho imensa piada, eu, quanto a esta "modernice", manifesto o meu enorme e mais profundo blheeec!


