Foi pé ante pé que entrei na blogosfera, num dia de Primavera hesitante e incerta como a de agora, movida antes de mais pela curiosidade e pela vontade de mudar, que tanto me caracterizam.
Comecei por querer só experimentar, ver o que era, como se fazia... E quando me lancei, entre o desejo e o susto que têm todos os começos, estava longe de imaginar, naquele dia 7 (nada é por acaso...), no que tudo isto haveria de se tornar. Não acreditaria, por exemplo, que três anos depois dessa manhã em que tacteando lhe fui dando vida, o meu blogue reuniria 733 posts e continuaria a ser fonte de prazer e de serenidade, a ter sabor a novidade e a aventura.
Mas, no fundo, nem é de admirar. Embora não seja muito dada ao definitivo, ligo-me fortemente aos lugares e às pessoas, e sou de amores loucos, intensos mas prolongados, resistentes ao tempo e à adversidade.
E depois, sempre tive a paixão das palavras, deixando-me enfeitiçar pelos seus múltiplos significados e sonoridades, e me inquietei na busca da mais exacta, mesmo sabendo que há um resto de emoção que lhes escapa, e vive eternamente no silêncio que fica antes e depois delas. O blogue permitiu-me reencontrar o gosto da escrita, que entretanto deixara adormecer no fundo escuro de uma gaveta, e tentara ignorar, ou esquecer.
Hoje, é a minha segunda casa, onde estou como sou, tal como se diz num famoso programa de televisão, o lugar onde me sento tranquila e descontraída, de onde observo o mundo, e onde me permito pensar(me) e falar de tudo o que me apetece - isto e aquilo (o nome, vendo bem, até faz algum sentido) - sem pudor de revelar o que me vai na alma, sem esconder vontades, nem gostos, nem opiniões. Aqui sou mais eu, de certo modo, e afeiçoei-me tanto a tudo o que este mundo novo trouxe à minha vida, que quase me parece que preciso dele para viver melhor.
Em três anos a minha vida mudou e eu mudei com ela, ou o contrário, e o blogue foi também parte dessa lenta aprendizagem, caminho de renovação que se vai construindo devagar a cada dia, com tudo o que pensei, li, conheci e experimentei entretanto.
Ao fim destes mil e noventa e cinco dias posso dizer que é muito maior e melhor o que ganhei do que o que perdi, que este continua a ser para mim um lugar de conhecimento e de pensamento, mas também de afectos e de afinidades, que me permitiram criar inúmeros laços e partilhas. Por isso não posso deixar de agradecer a todos os que me acompanham, aos que estão ao meu lado quase desde o início, aos que vão acrescentando palavras e opiniões que me confortam, me acarinham, ou me questionam e fazem ver tudo de outra maneira, aos que passam em silêncio, mas eu sinto do lado de lá das palavras, e até aos que me adivinham amores e desamores, humores, estados de alma ou temperamento, escondidos e revelados por trás do que escrevo, como se o blogue fosse um pedaço de mim e eu estivesse em permanente confissão.
Afinal, tudo faz parte do jogo. O importante é esta festa da palavra, que não é a vida, mas também faz parte dela. E eu gosto muito de estar aqui...