sexta-feira, 8 de maio de 2015

Desígnio


Hoje, a música, a poesia, e outras pequenas coisas que são o que há de mais bonito na vida, chegam para me fazer feliz...

(Fotografia de Paulo Abreu e Lima)

Para quem quer se soltar
invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor
e sei a dor de encontrar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir
eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar



quinta-feira, 7 de maio de 2015

Três anos depois...


Foi pé ante pé que entrei na blogosfera, num dia de Primavera hesitante e incerta como a de agora, movida antes de mais pela curiosidade e pela vontade de mudar, que tanto me caracterizam.
Comecei por querer só experimentar, ver o que era, como se fazia... E quando me lancei, entre o desejo e o susto que têm todos os começos, estava longe de imaginar, naquele dia 7 (nada é por acaso...), no que tudo isto haveria de se tornar. Não acreditaria, por exemplo, que três anos depois dessa manhã em que tacteando lhe fui dando vida, o meu blogue reuniria 733 posts e continuaria a ser fonte de prazer e de serenidade, a ter sabor a novidade e a aventura.
Mas, no fundo, nem é de admirar. Embora não seja muito dada ao definitivo, ligo-me fortemente aos lugares e às pessoas, e sou de amores loucos,  intensos mas prolongados, resistentes ao tempo e à adversidade.
E depois, sempre tive a paixão das palavras, deixando-me enfeitiçar pelos seus múltiplos significados e sonoridades, e me inquietei na busca da mais exacta, mesmo sabendo que há um resto de emoção que lhes escapa, e vive eternamente no silêncio que fica antes e depois delas. O blogue permitiu-me reencontrar o gosto da escrita, que entretanto deixara adormecer no fundo escuro de uma gaveta, e tentara ignorar, ou esquecer.
Hoje, é a minha segunda casa, onde estou como sou, tal como se diz num famoso programa de televisão, o lugar onde me sento tranquila e descontraída, de onde observo o mundo, e onde me permito pensar(me) e falar de tudo o que me apetece - isto e aquilo (o nome, vendo bem, até faz algum sentido) - sem pudor de revelar o que me vai na alma, sem esconder vontades, nem gostos, nem opiniões. Aqui sou mais eu, de certo modo, e afeiçoei-me tanto a tudo o que este mundo novo trouxe à minha vida, que quase me parece que preciso dele para viver melhor.
Em três anos a minha vida mudou e eu mudei com ela, ou o contrário, e o blogue foi também parte dessa lenta aprendizagem, caminho de renovação que se vai construindo devagar a cada dia, com tudo o que pensei, li, conheci e experimentei entretanto.
Ao fim destes mil e noventa e cinco dias posso dizer que é muito maior e melhor o que ganhei do que o que perdi, que este continua a ser para mim um lugar de conhecimento e de pensamento, mas também de afectos e de afinidades, que me permitiram criar inúmeros laços e partilhas. Por isso não posso deixar de agradecer a todos os que me acompanham, aos que estão ao meu lado quase desde o início, aos que vão acrescentando palavras e opiniões que me confortam, me acarinham, ou me questionam e fazem ver tudo de outra maneira, aos que passam em silêncio, mas eu sinto do lado de lá das palavras, e até aos que me adivinham amores e desamores, humores, estados de alma ou temperamento, escondidos e revelados por trás do que escrevo, como se o blogue fosse um pedaço de mim e eu estivesse em permanente confissão.
Afinal, tudo faz parte do jogo. O importante é esta festa da palavra, que não é a vida, mas  também faz parte dela. E eu gosto  muito de estar aqui...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Não havia necessidade...


Com o título "Cada Cavadela" e assinado por Nuno Saraiva, um dos subdirectores, este era hoje o editorial do DN, com o qual concordo em absoluto:
 
Pedro Passos Coelho decidiu desenterrar, mais uma vez, a chamada "crise do irrevogável" que, no verão de 2013, quase deitou abaixo o governo. Numa biografia autorizada, ontem apresentada, o primeiro-ministro recua no tempo para apontar o dedo a Paulo Portas, a quem acusa, implicitamente, de ser o responsável pela demissão de Vítor Gaspar. E revela que o agora vice-primeiro-ministro lhe comunicou "por sms" a decisão de abandonar o executivo. Por estes dias, aliás, as mensagens de telemóvel têm sido assunto num e noutro campo político. E parecem ser sinónimo de tiro no pé. Mas o que mais impressiona no timing e nos termos escolhidos por Pedro Passos Coelho para "fazer sair" esta narrativa, é ser indecifrável o seu objetivo. Dez dias depois de ter renovado os votos com Paulo Portas, o primeiro-ministro colocou-se no centro da ação política por ter, mais uma vez e em público, dado mostras de não confiar no seu parceiro de coligação. Porque é disso que se trata. Há pouco mais de um ano, o líder do CDS recusou revelar os pormenores do verão quente de 2013 porque, explicou na altura, "sou membro do governo e tenho um dever de reserva". Pelos vistos, o primeiro-ministro e líder do PSD considera-se dispensado desse dever e não hesita em apoucar em público Paulo Portas. Aquilo que Passos Coelho conseguiu ontem foi, tão-só, voltar a irritar o CDS. E a pergunta que fica por responder é: o que ganham o PSD e a coligação com isto? Numa altura que deveria ser de mobilização pré-eleitoral e em que ambos os partidos acordaram ir juntos a eleições, é incompreensível este comportamento que dá pretexto a que, de um lado e do outro, se fale de "deslealdade" ou de "ajuste de contas". Se calhar, e ao contrário do que todos julgávamos possível, a frase de Pedro Passos Coelho "que se lixem as eleições" não era, de todo, uma bravata. Porque, apesar dos erros sucessivos do PS, se o primeiro-ministro persistir nos elogios públicos a Dias Loureiro ou nas humilhações a Paulo Portas, uma coisa é quase certa: António Costa pode fazer as asneiras que quiser, que terá em Pedro Passos Coelho um "aliado" solidário que lhe abrirá as portas de São Bento.

Nesta, como em todas as outras coisas, acredito e confio em Paulo Portas; e não acredito, nem confio nadinha, em PPC. Mas isso nem vem agora ao caso. O que fica no ar são duas perguntas: Porquê? Para quê?

terça-feira, 5 de maio de 2015

O mês do Rocío





 
Muy dentro del corazón
De una forma permanente
A la Virgen del Rocío
Siempre la tengo presente
 
 
 
 

domingo, 3 de maio de 2015

Amor de mãe

 
Tenho especial alergia aos "Dias de...": do inenarrável "Dia dos Namorados" ao controverso "Dia da Mulher", passando pelo "Dia da Criança", do cão, do gato, do periquito e tutti quanti. Mas abro uma excepção para este primeiro Domingo de Maio, que é "Dia da Mãe". Porque sei a importância que a minha sempre lhe deu. E sempre o festejámos em grande, mesmo se para nós todos os Domingos eram dias de mãe e filha, vividos em clima de festa. E havia sempre flores, e almoço, e palavras doces, risos, beijos, e muitos mimos, na alegria imensa de podermos estar juntas.
Hoje, também lhe levei flores, mesmo não sendo da "Florista Malmequer". Não almoçámos juntas, mas celebrámos o dia com madalenas e ferreros rocher. Não dissemos muitas palavras e nem sei se entende agora o que lhe digo, mas é na forma como nos olhamos e nos apertamos as mãos que eu sinto que o nosso amor continua igual. Porque este amor nunca acaba. Às vezes preciso de segurar as lágrimas, porque não é fácil vê-la assim, e rio, e falo-lhe como se tudo fosse ainda como dantes, e tento aproveitar ao máximo o tempo que temos e eu não sei qual nem quanto é.
É por isso que costumo dizer, não fosse o horror que tenho a tatuagens, que se alguma vez fizesse uma, só poderia ser  daquelas antigas, com um coração a dizer: "amor de mãe".

Se tu (me) quiseres...


Se me abres os braços, entrego-me sem pudor, e sou tua. Nem são precisas muitas palavras. Basta um gesto, um olhar, uma mão no meu cabelo. Então, beijo-te depressa e devagar, meiga e desajeitada,  o coração de súbito disparado no peito, o corpo a explodir de desejo, na aflição e na surpresa dos instantes que precedem uma intimidade por descobrir,  rendição lenta e arrebatada, com o tempo suspenso e a novidade das mãos que se soltam de repente a correr pelo corpo, o arrepio do primeiro toque, e os beijos demorados e ardentes  que tanto se imaginara a que saberiam, que desatam todos os sentidos, tudo só pele, dentes, língua, riso, cheiros e sabores confundidos, entre palavras sussurradas ao ouvido, calor e colo, no tempo de esquecer o mundo inteiro e só existirmos juntos. 
Há no coração indomado e inquieto a intuição de que o que quer que viesse seria bom, marcado pelo que já é afecto e cumplicidade, e se destapa a espaços na emergência do corpo que se deixa levar pelo amor, no despropósito do que às vezes me fazes pensar e querer, sem saber se sim ou não, para logo voltar à realidade, e se ocultar, e reprimir, no turbilhão das sensações imoderadas e sensatas de querer prender e soltar, agarrar e deixar ir...
Quero-te e não preciso de ti, mas às vezes sucumbo à vontade desmedida de te ouvir dizer que sim, nos instantes em que, no torpor sonolento das manhãs de preguiça, se me enchem o corpo e o espírito das mais audaciosas vontades. 
Cresce-se a vida toda, e crescer também é isto: saber quem nos importa e o que nos faz falta, aproveitar o que a vida tem de bom, assumir vontades, e não se escusar nunca ao prazer.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A felicidade ao virar da esquina

Em França, 1 de Maio é também a festa do trabalho, mas é antes de mais dia do muguet, símbolo de felicidade, oferecido àqueles a quem se quer bem.
Parece que esta tradição existe desde o tempo de Charles IX, na época do Renascimento, e teria sido o próprio rei que a instituiu, depois de um certo primeiro de Maio ter ele próprio recebido un brin de muguet. No século XV, ao que consta, este era um dia dedicado ao amor, em que se ia ao campo colher ramos destinados a enfeitar depois as casas, e faziam-se coroas de folhas e de flores para oferecer à pessoa amada.
O muguet tornou-se assim, ao longo dos tempos, uma flor associada à felicidade. Diz-se que quem encontra um ramo de muguet com treze flores será particularmente bafejado pela sorte, um pouco à semelhança do que se passa com o trevo de quatro folhas. Há inúmeros perfumes que incluem nas sua essência o cheiro do muguet e há até quem diga que era a flor fétiche de Christian Dior.
Grande parte da felicidade, já se sabe, somos nós que a procuramos e construímos, mas estas tradições não deixam de ter um aura de poesia e de beleza, que também faz parte da vida.