quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal


Querendo ou não, é impossível escapar ao espírito da época, tempo de emoção e de afectos, de esperança, luz, alegria. De bons sentimentos, também. De pensar ainda mais nos outros e de lhes dizer como são importantes para nós.
Para todos os que por aqui vão passando, e lêem o que escrevo e seguem caminho em silêncio, para os que me dedicam palavras de simpatia e carinho, para os que discordam de mim e o dizem com educação e respeito, para todos os que este mundo me deu a conhecer e a vida fez meus amigos de verdade, para todos os que alguma vez se me cruzaram no caminho e me fizeram pensar o que não pensaria sozinha, para todos os que estão desse lado das palavras e eu não sei quem nem quantos são mas continuo a encontrar encanto nesse mistério, para todos um Natal cheio de saúde, de felicidade, e de amor, que é afinal o que mais importa. 


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Férias de Natal


Parece que o Inverno chega nesta madrugada, segundo os entendidos. Se eu pudesse escolher não seria esta a altura para as férias. Mas, já que é assim, aproveito para estar mais demoradamente com os amigos e preguiçar à vontade, para pensar na vida e me deter por instantes diante do presépio, para me deixar tocar pela esperança e alegria dessa lição de amor e de simplicidade, e ganhar força para o novo ano que aí vem. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Coisas do coração


É mais ou menos do senso comum, mas hoje dei comigo a pensar que uma das coisas mais extraordinárias do amor é descobrir  que gostamos de alguém que não é como gostaríamos que fosse e, com todos os seus defeitos, ou apesar deles, continuar a gostar.
Depois, por coincidência, ou talvez não, encontrei  no Observador esta animação, que tenta explicar o amor, tanto quanto ele pode ser explicado. O vídeo, que parece já ter um ano, recebeu muitos prémios e foi visto não sei quantas mil vezes. E achei-lhe piada...


domingo, 20 de dezembro de 2015

Desilusão total


Ando há tempos à espera de ver um filme muito bom, daqueles que deixam marca em nós, o que já não (me) acontece nem sei desde quando. O último filme de Nanni Moretti, "Mia Madre", aplaudido de pé no Festival de Cannes e considerado excepcional pela crítica de modo quase unânime, poderia, pensei, reverter a situação. 
Gosto dos filmes de Nanni Moretti, de quem me lembro de ter visto pelo menos "O Quarto do Filho" em 2000 e "Caos Calmo" em 2008. Mas hesitei. Sei que os seus temas se situam na zona sombria da perda, do luto, ou da crise existencial. E o nome do filme não augurava nada de bom. Não tinha a certeza de estar preparada psicologicamente para o assunto, nesta fase da minha vida.
Depois lembrei-me de "Amour", de Michael Haneke, e  de como tinha valido a pena ver o filme, apesar do "murro no estômago" que ele representa também. E lá me decidi.
Mas não gostei. O filme não é tão deprimente como se poderia inicialmente supor, nem é um mau filme, longe disso. Mas não me tocou. Há nele qualquer coisa que falha, uma empatia que não consegue estabelecer-se entre as personagens e os espectadores e que o torna até, de certo modo, um pouco maçador, para lá de um ou outro detalhe mais conseguido. 
Enfim, será talvez de mim, mas de Nanni Moretti esperava muito mais... 

sábado, 19 de dezembro de 2015

Piaf: 100 anos


Cem anos depois do seu nascimento, Piaf continua a ser "a diva" da canção francesa, um nome incontornável da música do mundo e uma referência para os apaixonados da cultura francesa, entre os quais me incluo.
Tenho amigos que detestam a chamada "Chanson française", que para mim é tanto e que tem uma dimensão fundamental na história da minha vida. Julgo que talvez por este ser um tipo de música em que o texto é essencial, quem não domina a língua a ponto de entender todos os meandros do que se diz, para lá da melodia, não consegue percebê-la e amá-la como merece.
A singularidade de Edith Piaf reside justamente na mistura de força e fragilidade, no contraste da sua figura franzina com a garra da sua voz, que fez com que o nome Piaf (pardal, em linguagem popular) lhe assentasse na perfeição. A sua glória opõe-se também a uma trágica história de vida, que Marion Cotillard tão bem soube interpretar no filme La Môme, de 2007, e que lhe valeu o Óscar da Melhor Actriz.
Passados cem anos, ou quase, as canções de Piaf continuam a ouvir-se e ela faz parte do leque dos grandes artistas, que perduram para lá da morte e cuja obra é intemporal. Não há, ainda hoje, quem não conheça "La vie en rose",  "Non, je ne regrette rien" ou "Milord". Para mim, Piaf estará sempre associada a Paris, a cidade que trago no coração.
Gosto de quase todas as suas canções, muitas delas verdadeiros hinos que, ao longo do tempo, me embalaram amores e desamores e me marcaram para sempre. Por isso, faço minhas as palavras que João Gobern escreveu hoje no DN. Estas:
La Môme faria hoje cem anos. Filha de um saltimbanco e de uma cantora de "bas-fonds", a maior voz da música popular francesa só foi feliz depois de morrer. Porque enquanto viveu andou da miséria à tragédia, da doença aos amores perdidos. Para bem de todos decidiu cantar o que lhe ia na alma. De tal forma que, agradecidos, continuamos a ouvi-la e a venerá-la. (...) Deu tudo o que tinha. Deu-nos muito do que temos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Jardins da minha vida (IV)




Situado em frente à Basílica, é mais conhecido pelo nome do bairro onde se situa do que como Jardim Guerra Junqueiro, designação que a maioria dos que o visitam desconhece.
Inaugurado em 1852 e aberto todos os dia entre as sete da manhã e a meia-noite, o Jardim da Estrela é um dos mais românticos e encantadores jardins de Lisboa.
São cerca de quatro hectares de canteiros e de relva, de alamedas e lagos com cisnes, gansos e patos-reais, com estátuas e um coreto em ferro forjado, que é a sua imagem de marca, mas que se situara originalmente noutro lugar, no Passeio Público, que é hoje a Avenida  da Liberdade.
Mas mais do que tudo isto, o Jardim da Estrela é um local calmo e quase silencioso, onde é possível sentarmo-nos tranquilos e sentirmo-nos em paz. É uma das minhas mais recentes paixões, desde que há pouco tenho vindo a descobrir a zona envolvente em todos os seus segredos e detalhes e, devagar, me vou deixando seduzir.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Assim, sim...



Mesmo para quem gosta muito do que faz é fácil às vezes deixar-se levar pelo cansaço ou o desânimo. É muito desgastante a profissão que escolhi; trabalha-se muito e ganha-se pouco, sofre-se grande pressão psicológica a cada dia, em cada hora, e é preciso lidar com muita gente e muitas coisas ao mesmo tempo, cada qual com especificidades próprias e as mais diversas ideossincrasias a funcionar em simultâneo.
E, no entanto, três meses depois da mudança que eu quis, não me arrependo de nada. Foi quase como começar outra vez. Cada escola é um mundo novo, com regras próprias, hábitos, pessoas, modos e tempos diferentes. É preciso observar, aprender, adaptarmo-nos e mudar, sem deixar de ser quem somos, ou de acreditar no que acreditamos, num caminho lento, cheio de altos e baixos, de avanços e retrocessos, de vitórias e derrotas construídas no tempo e na estranheza, de surpresas e cansaços vários, na tentativa de fazer o melhor de que somos capazes e de levar todos aqueles nos foram confiados e dependem de nós o mais longe que eles puderem chegar, o que é também um desafio gigantesco, misto de responsabilidade, de risco e de aventura.
Como em tudo e em todo o lado, encontra-se bom e mau, pessoas fantásticas e outras que é melhor manter à distância, competência e desleixo. Mas, para já, posso dizer que valeu a pena. Foram três meses duríssimos, que chegaram ao fim com um balanço positivo em resultados e em satisfação, mas em que quase tudo foi conquistado a pulso, a cada minuto contado no relógio. Que, ainda assim, me fizeram perceber com mais clareza que gosto disto, malgré tout. E se dúvidas houvesse, elas dissiparam-se hoje, quando li isto num dos noventa e não sei quantos texto de auto-avaliação:
Hoje sinto que sou uma boa aluna a Português, mas nem sempre foi assim (...) percebi que desde que a escrita de textos se tornou algo semanal para mim, alguns desses problemas, como a falta de ideias, dificuldade em estruturar o texto, etc, melhoraram muito. (...)
Vim a descobrir que gosto muito mais da disciplina de Português do que algum dia achei que viria a gostar e, apesar de às vezes não ficar muito entusiasmada quando a professora nos manda escrever um texto durante a aula, cada vez acho as aulas de Português mais interessantes. 
Pode até soar a presunção, mas para além de tanta novidade e dos bons resultados com que fechamos esta etapa, esta é para mim a verdadeira recompensa de três meses de muito trabalho, e a certeza de que é sempre possível fazer um pouco mais, ou ainda melhor.