sexta-feira, 29 de abril de 2016

Dançar


Descobri tarde que dançar é bom. E que nem é preciso ter imenso jeito. Nunca gostei muito de discotecas, música mais ou menos a metro e a obrigatoriedade de se "mexer". Mas basta encontrar a música que verdadeiramente nos toca e depois soltar o corpo e as emoções; e deixar-se ir.
A dança pode até modificar-nos. revelar-nos um lado desconhecido de nós, dar-nos  um novo equilíbrio e uma maior serenidade.
Hoje, percebo que muito para lá da postura adequada, da técnica perfeita, do desempenho brilhante, dançar pode ser um enorme prazer. E fazer bem à nossa vida...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Desconfiança


Eu, que não percebo nadinha de finanças, nem de "previsões macroeconómicas", ou "Programas de Estabilidade", mas olho com desconfiança e medo, até, para tudo o que vem dos socialistas e outros que tais, não percebo porque não se ouve, preferencialmente, quem percebe do assunto.
E, apesar de não ser bem o meu género preocupar-me por antecipação com o que quer que seja, temo que tenhamos de pagar bem caro esta "aventura" que nos caiu em cima, independentemente da nossa vontade... 

domingo, 24 de abril de 2016

Amigos


Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. Uma amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Temos certamente amigos dos dois tipos. Com alguns, a nossa amizade cimenta-se na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume que nos alumia. Com outros, a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar.

 (José Tolentino de Mendonça, Nenhum caminho será longo)


Esta é talvez uma das mais bonitas e completas definições de amizade que já encontrei, porque diz quase tudo. Eu acrescentar-lhe-ia ainda que, por razões que só o coração sabe explicar, os amigos são também as  pessoas que  parecem estar na nossa vida desde sempre, independentemente de quando chegaram, com quem nos rimos ou choramos, mas com quem nos sabe sempre muito bem estar. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Olhos verdes


A rainha de Inglaterra faz hoje 90 anos. A minha mãe faz 91 daqui a dois meses. Entre uma e outra há muitas diferenças. embora para mim sejam rainhas as duas. Sobre Isabel II, escreveu Pedro Correia: Num mundo em mutação, onde tudo passa, tudo se esgota e tudo esquece, ela é uma referência de estabilidade. Lembramo-nos dela desde sempre, são já poucos os que conheceram outro chefe do Estado no Reino Unido. E, de facto, olhamos para ela e não nos lembramos da idade que tem. 
Muito diferente do que se passa com a minha "Rainha", que vive agora num mundo de silêncio e movimentos reduzidos, naquele limiar que nos faz perguntar-nos muitas vezes se existir assim pode ainda considerar-se vida.
E, no entanto, quando a olho no fundo dos seus olhos verdes e vejo neles serenidade, mesmo se já não não lhes encontro a vivacidade de outrora, penso que tudo me faz sentido,  ainda assim, que nos entendemos pelos olhos como Blimunda e Sebastiana Maria de Jesus, e provavelmente como todos os que se conhecem demasiado bem e se amam sem limites. 
Por isso, se é verdade que às vezes me aflige um pouco ver nela uma sombra do que foi e me atormenta não saber o que pensa e o que sente, também se me apazigua o coração quando me agarra a mão e a aperta na sua, quando me passa a mão no cabelo e se ri para mim, ou quando a transparência dos seus olhos verdes me basta para  poder sentir-me mais feliz. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Paixões


Dizem que as paixões não se explicam. Deve ser por isso que não sei por que gosto tanto de flamenco...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Remédio Caseiro


Nos dias em que o cansaço quase me vence (como ontem, como hoje) é na língua francesa que encontro refúgio e sossego; é essa doce sonoridade que me embala medos e fragilidades, e que volta a pôr tudo no seu lugar porque, afinal, também temos direito à tristeza, à solidão, à preguiça.



(Fotografia do blogue À Esquina da Tecla)

sábado, 16 de abril de 2016

Ver os aviões...


Completamente por acaso, encontrei hoje no Observador umas imagens antigas de Lisboa. Esta, em particular, trouxe-me uma recordação da minha infância, e do tempo em que o aeroporto tinha uma varanda sobre a pista, onde íamos muitas vezes só para ver os aviões a aterrar ou a levantar voo. Era uma emoção embrulhada numa aura de mistério e aventura, com aquele sabor amargo e doce, misto de nostalgia e anseio que têm todos os locais de partida e chegada.
Depois, também por acaso, ou talvez não, encontrei um texto da Alexandra Prado Coelho, no Público, já antigo, (de Maio de 2013) sobre esses passeios das tardes de Domingo  para ver aviões. Ela fala dos finais dos anos 40. Eu não sou assim tão antiga, mas vinte e muitos anos depois da data que ela  refere, o hábito persistia entre os lisboetas.
Não é uma questão de saudosismo, é apenas uma lembrança do tempo em que as tardes de Domingo se passavam preferencialmente ao ar livre, e não na atmosfera deprimente e asfixiante de um qualquer "Centro Comercial".
(...) Houve um tempo em que o passeio preferido dos lisboetas era até ao novíssimo Aeroporto da Portela. Aí existia uma esplanada com vista para a pista, onde quem não podia partir via os aviões levantar voo e, provavelmente, sonhava com o dia em que viajaria num deles.
 (...) quando entro hoje no aeroporto fico a pensar como ele, de certa forma, se virou para dentro. As esplanadas são interiores e delas já não vemos os aviões a levantar voo. Por isso regresso ás fotos do restaurante de grandes janelas voltadas para a pista (...) Era o tempo em que passávamos tardes de domingo a ver chegar e partir aviões.