Espero a Primavera que teima em não vir como quem espera o primeiro dia de um amor que se demora e tarda em chegar, na urgência incontida do primeiro abraço, muito forte e apertado, sem espaço para as palavras, o coração de um colado no peito do outro, o toque das mãos e o sabor da boca pelo corpo inteiro, numa festa de beijos e de meiguices, na luz do sol ou na claridade da lua, saciando o desejo e desfazendo lentamente o mistério de tantos segredos por contar, dissipando as sombras que durante tanto tempo encheram os dias, povoando-os de incertezas e de esperas, na alegria imensa de um novo amor e da vida a (re)começar.
terça-feira, 26 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Sentimento e algo mais
Hoje é um daqueles dias em que me faltam as palavras, em que me encolho e me calo e deixo apenas a música e os sentimentos tomarem conta de tudo, numa espécie de colinho bom, que me embala a tristeza, o silêncio e a vulnerabilidade.
Que já passa...
(Ao fim de quase onze meses de blog, chego hoje, também, ao centésimo quinquagésimo post. Quem havia de dizer...Este tem sido um caminho longo e bom; e um número tão redondo assim, é de assinalar, pois então!)
quarta-feira, 20 de março de 2013
Vou ali... e já venho!
Hoje, o dia e a noite duram o mesmo tempo. Etimologicamente, é o que quer dizer a palavra equinócio. A explicação para que o seu dia e hora vão variando ligeiramente de ano para ano é demasiado científica e está relacionada com os "anos trópicos", que são menores que 365 dias.
Mas isso não importa. O que importa é que é neste dia, já hoje, daqui a pouco.
Chega a Primavera e eu quero recebê-la assim, de braços abertos e em festa, na rua e ao sol, na plenitude da luz intensa e na alegria contagiante, colorida e arrebatadora que me levam para o sul.
Até já!...
terça-feira, 19 de março de 2013
Prenúncio de Primavera
Dia chuvoso e a Primavera, ainda assim, irrompendo por todo o lado, num colorido ostensivo, que se sobrepõe às inclemências do tempo. Basta um pouco de atenção ao que se passa à nossa volta...
E eu, apesar dos meus excessos de urbanidade, emociono-me e alegro-me com esta maravilha da natureza a renascer pujante e esplendorosa, como se a visse pela primeira vez...
(A fotografia, linda, "roubei-a" ao blog Pé de Meia... de mfc)
segunda-feira, 18 de março de 2013
O néctar dos deuses
Adoro vinho. É, sem dúvida, a minha bebida. Não sou exactamente uma entendida no assunto, não percebo nada das diferentes castas, apesar de me deliciar a ouvir os que são capazes de tecer grandes considerações sobre cada vinho e escolher o mais apropriado e ideal para momentos ou circunstâncias diversos. Eu vou apenas pelo bem que me sabe. Mas não é isso, afinal, o que mais importa?
Gosto de todos os tipos de vinho e do ritual que lhe está associado, num apelo à mistura dos sentidos, experiência de sinestesia pura. Gosto de lhe apreciar a cor e o aroma, do cerimonial da abertura e do "ploc" da rolha a soltar-se da garrafa, do momento em que o seu paladar se sente ao de leve nos lábios antes de saborear-se inteiro, um prazer vagaroso e sensual, semelhante ao de um primeiro beijo, que se deseja e desconhece.
Gosto de vinho na proporção inversa de quanto detesto cerveja, que apesar de ser a bebida alcoólica mais consumida do mundo, tem um sabor de que não consigo gostar nem um pouco; e há nela, também, qualquer coisa de vulgaridade que a distingue totalmente do requinte e da elegância de um bom vinho; porque "o vinho é composto de humor, líquido e luz" como dizia, ao que parece, Galileu Galilei. E eu concordo com ele.
É uma bebida de existência e consumo milenares, muito comum na Grécia e Roma antigas e ainda hoje ligada ao culto religioso. Associada ao bem-estar, ao bom humor e ao bom gosto é ideal para encontros de amigos, para momentos de festa e para todo o tipo de celebrações; e é, também, a bebida perfeita para acompanhar instantes vividos a dois, suscitar intimidade, olhares calorosos, gestos e palavras incontidos.
É uma bebida de existência e consumo milenares, muito comum na Grécia e Roma antigas e ainda hoje ligada ao culto religioso. Associada ao bem-estar, ao bom humor e ao bom gosto é ideal para encontros de amigos, para momentos de festa e para todo o tipo de celebrações; e é, também, a bebida perfeita para acompanhar instantes vividos a dois, suscitar intimidade, olhares calorosos, gestos e palavras incontidos.
O vinho é, claramente, uma das coisas boas da vida.
De tanto pensar nisso, até já bebia um copo. Ou dois, ou três. De vinho tinto, que é o meu preferido!...
De tanto pensar nisso, até já bebia um copo. Ou dois, ou três. De vinho tinto, que é o meu preferido!...
sábado, 16 de março de 2013
Mais cinema
Sou suspeita. Ao contrário de muita gente, gosto de cinema francês. Gosto muito, mesmo. E, na nova geração de actrizes, tenho uma predilecção especial por Marion Cotillard desde que a vi na genial recriação de Piaf em La Môme, o que lhe valeu o Óscar de melhor actriz em 2008. Depois, voltei a vê-la no filme Les Petits Mouchoirs, de que gostei imenso, em "Meia-Noite em Paris" de Woody Allen e em mais alguns cujos nomes não recordo agora.
Além de muito bonita, Marion Cotillard tem um talento e versatilidade enormes, uma presença fortíssima, que confere uma densidade psicológica particular às personagens que interpreta. Um filme com Marion Cotillard é, pois, para mim, um filme a ver. Sempre.
Por isso, foi antes de mais por causa dela que quis ir ver este filme franco-belga de Jacques Audiard (de quem também já vira "De tanto bater, meu coração parou"), com um estranho nome, "Ferrugem e Osso" ( De rouille et d'os, no original) e argumento adaptado a partir do livro Rust and Bone de Craig Davidson.
E gostei. É um filme belo e dramático em simultâneo, um filme duro e desapiedado, violento até, quer do ponto de vista físico, quer emocional, mas também surpreendente, sobre o amor, a amizade e a fragilidade da condição humana, que me fez chorar como já há algum tempo um filme não o fazia.
E que vale uma ida ao cinema, nem que seja para ver mais uma excelente, marcante e inesquecível interpretação de Marion Cotillard.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Habemus Papam
De um modo geral, não trago para o meu Isto e Aquilo os assuntos de que se fala. E nem sei bem porquê. Porque não me apetece. Porque me dá um certo cansaço vê-los por todo o lado; enfim, seja pelo que for...
Mas, hoje, abro uma excepção para me referir ao que, desde ontem, está na ordem do dia.
No blog Delito de Opinião, encontrei aquele que é, para mim, o mais bonito texto que li sobre o novo Papa. É do Pedro Correia e vale a pena ler. É assim:
Simplesmente Francisco
Também ele apareceu com ar despojado, fraterno, repassado de fragilidade humana. De braços caídos, sem pedir aplausos, com um sorriso tímido, parecia querer dizer aos mil e trezentos milhões de pessoas que o reconhecem a partir de hoje como dirigente espiritual que está disposto a aceitar este imenso desafio que o destino lhe proporciona embora não se sinta verdadeiramente digno dele.
As primeiras palavras que dirigiu à multidão foram as mais inesperadas, por serem tão simples: "Boa noite." Passou logo ali uma corrente afectiva entre quem falava e quem ouvia: muitos dirigentes políticos deviam aprender com momentos destes - em comunicação não é preciso inventar nada, basta ir à essência das ideias e das palavras. A roda já foi inventada há muitos milhares de anos...
Jorge Mario Bergoglio - argentino de 76 anos, jesuíta, filho de um imigrante italiano, diplomado em Engenharia Química - é o primeiro titular do Vaticano oriundo do continente americano, o maior viveiro de fiéis católicos do planeta. Vivia num modesto apartamento em Buenos Aires, deslocava-se em transportes públicos, cozinhava as suas próprias refeições, aprecia tango, gosta de ver jogos de futebol e de encorajar os jovens a descobrir Cristo entre os pobres.
Escolheu um nome simples, sem antecedentes no trono de Pedro e portanto sem numeração. Simplesmente Francisco. Como Francisco Xavier, o santo missionário que deixou o coração em Goa. Como Francisco de Assis, que se despojou de todos os bens materiais para melhor servir os outros.
Há-de receber os grandes do mundo, há-de ter reis e presidentes a pedir-lhe a bênção, há-de escutar incontáveis ovações. Mas hoje, no balcão da basílica, parecia não ambicionar nada mais do que ser irmão de todos nós.
Francisco, ainda sem a estola papal, começou por pedir que rezassem por ele - outro gesto de inequívoca humildade que me fez lembrar Luciani, o pontífice do sorriso que tão cedo se apagou. E depois, como se estivesse ainda mal refeito da surpresa, afirmou: "Foram buscar-me ao fim do mundo..."
Que o santo de Assis o ilumine na peregrinação iniciada agora. E que no fim da caminhada saiba dizer também, como o outro Francisco disse: "Primeiro faz-se o necessário, depois o que é possível e de repente estamos a fazer o impossível."
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