E, por isso, predominam os "prontos" "fostes" "hádem" "haviam" "diria-lhe" "eu chamo ele" "eu disse-lhe a ela" "um dia solarengo" entre muitas outras distorções e monstruosidades, que se vão tornando banais.
Veja-se o seguinte diálogo:
- Ontem esteve um dia tão solarengo! Onde é que fostes ?
- Era para ir passear com a minha mãe, mas como haviam muitas pessoas na rua, eu disse-lhe a ela: Prontos! Ficamos em casa. Hádem vir outros dias assim. E ela chamou-me de preguiçosa. Eu diria-lhe que é mais uma questão de comodismo...
Quantas pessoas não acharão este diálogo perfeitamente correcto? Quantos não considerarão que cumpre a seu objectivo de fazer passar uma determinada mensagem e que só isso importa?
No meio de todas estas barbaridades que, a cada momento, ferem os ouvidos e fazem arrepiar os pelos dos poucos que ainda têm respeito e consideração pela nossa língua, assume particular relevância e complica-me de forma especial com o sistema nervoso o "chamar de...", que já se vulgarizou completamente. "Ela chamou os seus vizinhos de ignorantes" passou a ser regra, em vez da forma correcta: "Ela chamou-lhes ignorantes" ou "Ela chamou ignorantes aos seus vizinhos." Toda a gente, (incluindo pessoas supostamente intruídas e que teriam obrigação de saber como se diz), parece ter esquecido que se chama alguma coisa a alguém e não se chama alguém de alguma coisa. Porque não somos todos brasileiros, graças a Deus!...
Enfim, o domínio da língua e o uso que se faz dela também diz muito da cultura de um povo.

