sábado, 25 de junho de 2016

O que fica


Tinha passado muito tempo desde aquela noite fria de Dezembro em que, sem o dizer, se tinham prometido tomar conta um do outro para sempre. Depois, tinham deixado a vida correr, perdendo-se e encontrando-se nas suas imensas voltas e reviravoltas, até se saberem de cor como se já tivessem nascido juntos. 
Claro que houvera bom e mau, risos e lágrimas, claridade e escuridão, tristeza e felicidade -  tudo em doses imoderadas. E se os anos tinham mudado muita coisa, havia também a serenidade cúmplice de quem se entende mesmo no silêncio, o conforto que vinha da certeza de se terem, de se saberem sempre perto pelo lado de dentro, e do laço apertado que continuava a prendê-los e era impossível de desatar.
E até havia dias em que o seu coração ainda estremecia e se sobressaltava quando o via chegar; e sabia que não havia toque de pele mais arrepiante, nem calor igual ao do seu abraço, ou olhos que chegassem mais fundo que os seus. Afinal há muitas formas de amor, e aquele era agora todo feito de harmonia, de estímulo e de uma doçura existente para lá de todas as palavras, onde cabiam todos os afectos do mundo. 

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