segunda-feira, 18 de março de 2019

Cinema francês, sempre!


Uma vez mais um filme cuja tradução do título não tem nada a ver com o original: Le brio transforma-se assim em "O poder da palavra", na versão portuguesa. Com o racismo e a integração social como tema de fundo é, no entanto, sobre a arte da eloquência e o rigor da palavra que ele incide acima de tudo, numa comédia satírica com meia dúzia de inevitáveis clichés pelo meio. E, por isso, desta vez a escolha do título na nossa língua não é tão absurda como de costume.
São magníficas as interpretações de Daniel Auteuil e de Camélia Jordana, que eu não conhecia, que parece que começou por ser cantora pop, mas que está à altura do desafio, com diálogos vivos, tensos, e cheios de humor, que são o que há aqui de melhor.
De resto é um filme previsível, cujo desenlace se conhece desde os primeiros minutos, mas que ainda assim nos faz passar uma agradável hora e meia, da qual eu destacaria em particular a sequência inicial, com Brel e Gainsbourg,  e o modo como Auteuil diz Baudelaire. 
A ver por quem, como eu, gosta de cinema francês e/ou considera apaixonante a força das palavras.

quarta-feira, 13 de março de 2019

quinta-feira, 7 de março de 2019

A festa da vida


A vida é, antes de mais, um presente de amor. E, apesar de todos os contratempos e dificuldades do caminho, é maravilhosa; por isso, merece ser celebrada. Não entendo, pois, as pessoas que não gostam de fazer anos, porque associam essa data ao facto de ficarem mais "velhas", como se isso não fosse natural. Eu adoro!
Vivo com muita alegria os dias que precedem o dia 7 (um número mágico e, para mim, com um significado todo especial), gozando os festejos por antecipação; e também os que se lhe seguem, porque costumo prolongar as comemorações por vários dias. Neles estão comigo todos os que amo e que me querem bem, e é a sua presença e o aconchego dos seus mimos e abraços o que de melhor me podem dar.
A idade continua a não me pesar, nem me incomodam demasiado as marcas da passagem do tempo. Porque a idade também traz consigo a experiência, a sabedoria e a serenidade. E todas as fases da vida podem ser boas, consoante a forma como as encaramos. Com o tempo saboreia-se tudo melhor e aprendemos a aceitar o que somos, com tudo o que isso tem de bom e mau, e a assumir claramente o que queremos e não queremos, continuando sempre a aprender, porque nunca nada está completo, nem é definitivo.
E, a propósito dos festejos do dia de hoje, que é o que realmente importa, e que têm que ser em grande, como sempre, porque este não é um dia como outro qualquer, lembrei-me de uma canção antiga da dupla José Niza /José Calvário:

Que venha o sol o vinho e as flores
Marés, canções de todas as cores
Guerras esquecidas por amores;


Que venham já trazendo abraços
Vistam sorrisos de palhaços
Esqueçam tristezas e cansaços;

Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam prendas de alegria
E a festa dure até ser dia; (...)

segunda-feira, 4 de março de 2019

O sofrimento é sempre solitário


De forma mais ou menos imperceptível, mas implacável, o tempo passa, minuto a minuto, hora a hora, dia após dia; assim passam muitos anos, quase sem darmos por isso. E por mais que tentemos convencer-nos que há uma ordem lógica na vida, e que os que amamos não vivem para sempre, é demasiado duro assistir ao envelhecimento e à degradação progressiva de quem foi para nós abrigo e colo, de quem nos ensinou tudo e, até, nos deu a vida. Chega um momento em que os papéis se invertem obrigatoriamente e, apesar de toda a naturalidade que possamos tentar pôr nisso, há sempre, num recanto qualquer, vivida pelo lado de dentro, a dor da perda a magoar baixinho, num processo que, apesar dos amparos possíveis, se vive na mais pura solidão, enquanto se pede coragem para continuar a ser, nas vulnerabilidades todas do fim do caminho, ao menos uma parte do aconchego, da serenidade e da alegria que recebemos em tantos anos. E saber em todas as horas,  sobretudo nas mais difíceis, celebrar a vida. E agradecê-la.

sexta-feira, 1 de março de 2019

O mês da Primavera


Eu sei que no calendário ainda não é verdade, nem o tempo atmosférico está de acordo com a nova estação. Mas mal chega Março, para mim chega também a Primavera, no seu esplendor de luz, dias longos e claros, cor, aromas, renovação. E é uma enorme alegria!...
Parte dela, julgo eu, vem também do facto de este ser o mês em que nasci e, por isso, senti-lo um pouco mais meu. E porque tenho sempre a sensação de que Março é um mês em que o mundo e a vida  ganham um novo brilho, como se tudo nascesse de novo, na natureza e em nós.
O começo deste terceiro mês do ano é sempre uma festa, sem exuberâncias excessivas, mas naquela  mansidão que nos leva ao bem-estar de crer que tudo volta ao seu lugar e se enche de força, de energia positiva, e de novas promessas e vontades.
Estes próximos dias são pois para viver em arrebatamento, em encanto e optimismo, com os cabelos soltos ao vento; para caminhar na rua e aproveitar o sol que devagar vai aquecendo, a anunciar dias maiores, com o Verão ainda distante.
Gosto de tudo na Primavera: das cores e dos perfumes,  dos jardins floridos e dos cantos dos pássaros, da boa-disposição com que se acorda, acreditando que tudo é possível e bom, e que daqui até ao fim de Junho é o tempo melhor para o amor e a felicidade. É, sem qualquer dúvida, a minha estação...

Vou voltar na Primavera
Que era tudo o que queria
Levo terra nova daqui

Quero ver o passaredo
Pelos portos de Lisboa
Voa, voa, que eu chego já...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Magia Pura


Este é o momento de que se fala, que marcou a cerimónia dos Óscares da última madrugada, e que é bem revelador do que fica para além das palavras, num lugar mágico em que há apenas emoção, sentimento e sintonia perfeitas. Lady Gaga a provar uma vez mais a sua genialidade e o seu carisma. Prémio mais do que merecido, mas, acima de tudo, um momento muito bonito e inspirador... Afinal, o que há de mais belo que o amor?


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Todos Sabem - um filme a ver


Um filme com Penélope Cruz, com Javier Bardem, ou com Ricardo Darín, é para mim uma aposta segura, quer actuem separadamente ou todos juntos, como é aqui o caso. E, por isso, não podia deixar de ver Todos lo saben.
Do realizador iraniano AsgharFarhadi não me lembro de ter ouvido falar, mas já conhecia a canção Una de esas noches sin final, nomeada para os Goya 2019, cuja cerimónia acompanhei na íntegra e em directo.
O filme, que começa com uma festa de casamento numa qualquer aldeia espanhola, depressa muda de rumo com a constatação de um desaparecimento, que trará ao presente velhas feridas do passado. Trata-se pois de um drama, com elementos de suspense, mas que acima de tudo põe a nu os segredos e mentiras de cada uma e de todas as personagens, fazendo com que a determinada altura todas possam parecer sob suspeita. É neste clima tenso e cheio de mistério(s) que se desenrola toda a narrativa, e que mais do que resolver a trama procura mostrar o lado mais obscuro, incompreensível e comovente da alma humana.
Mas são as soberbas interpretações dos três actores principais que realmente nos prendem e nos tocam, com especial destaque para Penélope Cruz, magnífica a exprimir a angústia, a incerteza e o pânico. A não perder, enquanto aguardamos o último Almodovar.