terça-feira, 18 de outubro de 2016

15 anos depois - el reencuentro


Quem me conhece bem sabe como eu gosto de Espanha, a ponto de ser a TVE o canal de televisão que mais sigo. Em 2001, eu tinha acabado de me apaixonar pelo flamenco e vivia ainda com mais fervor e intensidade aquela garra que vinha do outro lado da fronteira e que tanto me tocava, que me continua a tocar, que é coração, sangue e alma, euforia e emoção transbordante.
Havia, por aquel entonces, um programa que prendia todos os espanhóis ao écran - e eu com eles. Era o tempo da Operación Triunfo, na sua primeira edição (OT1), um programa que revolucionou a televisão e a música espanholas e teve, por isso, um sucesso inigualável e difícil de explicar. Era a excelência das vozes, mas era também um bom leque de professores, o bom gosto na escolha variada do repertório, das coreografias, e era um grupo carismático de jovens simples e ilusionados, dando o melhor de si mesmos para conseguir chegar o mais longe possível o que tanto nos atraía e encantava. 
Eu sou insuspeita. Não costumo ter a mínima paciência para concursos de talentos, sejam de música ou de cozinha, e acho que não exagero se disser que este foi o único que acompanhei do princípio ao fim. Porque era diferente. Porque me parecia absolutamente genuíno e tinha tudo o que um programa de entretenimento tem que ter. 
Por isso, também me surpreendi com o potencial vocal de Rosa ou com a vivacidade e energia de Bustamante; acompanhei a história de amor de Bisbal e Chenoa, que nasceu diante do nossos olhos e quase nos apercebemos dela antes deles próprios - é inesquecível o vídeo dos ensaios de "Escondidos"; diverti-me com as aulas de interpretação de Ángel, enterneci-me com a doçura maternal de Nina e admirei as coreografias de Poty; arrepiei-me com certas interpretações que ficaram para a história, conheci canções que até aí desconhecia.
Quando o concurso acabou, em Fevereiro de 2002, houve ainda a participação de Rosa na Eurovisão, que eu já não acompanhei, porque isso é que não faz de todo o meu género, e depois cada um seguiu o seu caminho e apenas dos mais mediáticos fui sabendo alguma coisa pelas revistas e pela televisão.
Mas, quinze anos depois, a TVE decidiu promover o reencontro daquele grupo inicial em três programas dos quais passou este Domingo o primeiro e um concerto ao vivo, no dia 31, em Barcelona. 
Passado este tempo, já não são os mesmos meninos de vinte anos de outrora, são adultos com um percurso feito e amadurecidos pela vida. E foi outra vez um fenómeno de audiências, um enorme sucesso. Por mim, voltei a emocionar-me quase como há quinze anos. E não me interessa nada se Bisbal foi mais frio ou mais caloroso com Chenoa e outras coisas que se disseram. O que eu vi ali foi aquele magnetismo de antes, de quem gosta de música e é capaz de passar para o lado de cá o que sente quando canta.
Talvez fosse bom que a televisão portuguesa, onde quase só passam novelas e debates de politica e de futebol, pudesse aprender alguma coisa com os vizinhos aqui do lado.


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