domingo, 15 de setembro de 2013

Um Óscar para Cate Blanchett




Woody Allen é um daqueles realizadores de que se gosta muito, ou não se gosta nada. Pertenço ao primeiro grupo. E acho mesmo que, para quem gosta de cinema, é um autor incontornável. Vi quase todos os filmes e gostei de alguns mais do que de outros, naturalmente. Assim de repente lembro-me de uns muito antigos, Annie Hall, ou Interiors, por exemplo, e de outros  mais recentes, como Match Point, ou o fabuloso Midnight in Paris, que eu adorei, e não só por se passar em Paris.  Creio, aliás, que o filme ganhou o Óscar do Melhor Argumento Original.
 Blue Jasmine, o seu último filme, é também magnífico. É um filme no feminino, construído à volta de Cate Blanchett,  inesquecível e genial como Jasmine, mas brilhantemente secundada por Sally Hawkins, no papel da irmã, Ginger, enternecedora na sua quase ingénua simplicidade.
O que há de extraordinário nestas personagens é a sua humanidade. É isso, de resto que as torna credíveis, a ponto de nos perturbarmos com o drama de Jasmine, cujo delírio, sempre a pisar a linha de fronteira da insanidade, desperta a nossa compaixão. E são tão autênticos os seus monólogos, é tão genuinamente verdadeiro o seu olhar vago, que  nos comovemos com a tragédia do seu infortúnio e a acompanhamos perdida em si mesma, a caminho da loucura; e quase nos sentimos à deriva com ela, na procura da redenção.
Este é, sem dúvida, um dos filmes do ano, que dará provavelmente a Cate Blanchett um Óscar mais do que merecido. E nem que fosse apenas por isto, já valeria a pena vê-lo. Porque ela enche o filme todo, embora o filme seja mais que isso: é também a sua brilhante construção, que vai alternando passado e presente, tudo docemente embalado pela cadência do jazz e dos blues. A não perder...


13 comentários:

  1. "Woody Allen é um daqueles realizadores de que se gosta muito, ou não se gosta nada"

    Ora aí está uma frase indiscutível mas, por estranho que possa parecer, sempre estive numa 'zona cinzenta'.

    O defeito será meu, sem dúvida, mas não consigo dizer apenas bem ou mal de Allen.

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    1. Eu gosto de Woody Allen, mas não digo só bem. Há coisas que ele faz que eu acho francamente pouco inspiradas. Por exemplo, o filme anterior a este, o de Roma, não gostei nada... Mas este vale a pena ver!

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  2. Não perdi e raramente perco as realizações do W .A. Costumo ,também, rever os seu filmes antigos. Há uma história do caneco que não consigo lembrar-me do seu título. Nem em inglês, nem traduzido para português. Sei que é à volta de uma a mãe que atormenta o filho,no papel do Woody Allen, aparecendo nas nuvens e por todo o lado sempre lhe dando conselhos, mesmo depois de morta! Deve ter servido para especialistas do for psíquico.(risos) Se souber o nome deste filme fico-lhe agradecida! Pronto, estou na lista dos que não o detestam !...
    Gostei da sua análise ao Blue Jasmine. O Midnight in Paris tem a banda sonora 5* para mim que são músicas das minhas preferências.
    Beijinhos, Isabel!

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    1. Não me consigo lembrar que filme é esse de que fala, Madalena! Mas já vi tantos, que os mais antigos até, às vezes, os baralho ;)
      Eu gostei muito deste, mas "Midnight in Paris", dos últimos, é um dos meus preferidos.

      Beijinho Madalena.

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    2. Peço desculpa pela intromissão.

      Por acaso sabe, D. Manuela Amaral, em que década foi feito o filme que refere?
      Obrigado

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    3. Observador, agradeço a sua intromissão. Acho que fazia o mesmo. Pois, não sei exactamente o ano.Vi o filme nos anos noventa na televisão.
      Se souber fico-lhe muito agradecida!

      Madalena(não Manuela) Amaral

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    4. Que lapso, D. Madalena!!!
      Estou desculpado? Obrigado.

      Experimente visualizar o site que se segue.
      Depois diga se encontrou.

      http://www.locatetv.com/person/woody-allen/28979

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    5. Muito Obrigada, sr Observador, pela sua disponibilidade! Nem imagina ao tempo que busco o filme em questão.Depois de alguma persistência e vossa ajuda, finalmente encontrei-o! Chama-se, "Histórias de Nova Iorque" (New York Stories). Fácil, fácil de decorar, mas enfim!...É do ano 1989, com realização do W. A. e outra grande figura do cinema,Francis Ford Coppola!
      Muito agradecida também à Isabel por ter sido, de alguma forma, o veículo da descoberta!...

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    6. Anda bem que encontrou. Por acaso também tinha pensado nesse, mas nem cheguei a dizer-lho, porque como não era só Woody Allen, achei logo que esse não seria.
      Esteja à vontade. Não me importo nada de ser o "veículo da descoberta". É um prazer. ;)

      Beijinho

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    7. Espreitei o site que lhe indiquei e li a sinopse de alguns dos filmes.
      Fiquei quase com a certeza de que seria o 'New York Stories' mas preferi dar a possibilidade de ser a Madalena a confirmar.

      Não tem que agradecer. Disponha.

      Isabel, num País de descobridores até fica bem ser-se um "veículo da descoberta".

      Cumprimentos a ambas.

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  3. Na altura em que li este post ainda não tinha visto o filme. Estou perfeitamente de acordo como de resto já comentamos os dois por aí :)

    Beijinho :)

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    1. :)) Pois, Paulo, mais palavras para quê?

      Beijinho :)

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