domingo, 22 de novembro de 2015

A força de um abraço


Hoje, no Notícias Magazine, minha leitura obrigatória de todos os Domingos, vinha uma crónica de José Luís Peixoto, um escritor que não aprecio. E, no entanto, gostei da crónica. Chamava-se "O que dizem os abraços" e falava de um em particular, que o pai lhe dera com nove ou dez anos.
Dizia isto, por exemplo: "Juntar as pontas dos ombros e dar algumas palmadinhas nas costas não é um abraço. Escrever "abraço" no fim de um e-mail também não é um abraço. Indiferente ao desenvolvimento social e tecnológico, um abraço continua a ser duas pessoas que se juntam e se apertam uma de encontro à outra.
Esses rapazes que aparecem com cartazes a oferecerem abraços nos festivais de Verão têm graça e talvez sejam bem-intencionados, mas fazem publicidade enganosa. Não são os abraços que provocam as ligações, são as ligações que provocam os abraços."
Por coincidência, hoje também, li um texto impressionante de um aluno, chamado "batalha perdida", que falava da mãe que morrera de cancro quando ele tinha apenas nove anos. E dizia assim, a certa altura: "Todos os dias me lembro do abraço aconchegante que só ela me sabia dar."
Fiquei a pensar nisto. Há, de facto, abraços que não podem esquecer-se. Eu também gosto muito de abraços, daqueles muito apertados, e de um em especial, que me vira do avesso e, por instantes, me faz ver "la vie en rose."

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Segundo diz José Luís Peixoto (e bem) escrever "um abraço" não é um abraço. Fica a intenção. Obrigada.

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