sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Tonterías


De vez em quando, também há os dias em que me apetece ver um filme menor, daqueles que apenas divertem e fazem passar um bom bocado. Hoje, era uma desses dias. Por isso, ao decidir ir ver esta comédia espanhola, já sabia mais ou menos o que me esperava.
O filme Ocho apellidos vascos (incompreensivelmente traduzido como "Namoro à espanhola") começa logo com uma sevilhana num tablao andaluz (isto promete, pensei!) e conta uma história de amor entre um rapaz do sul que se apaixona por uma basca, e um sem fim de peripécias e quiproquós com um toque burlesco, onde estão presentes todos os estereótipos e ideias feitas sobre uns e  outros, para terminar em final feliz, ligeiramente folclórico até, com os Del Río a cantar Sevilla tiene un color especial, enquanto o par principal se dirige para  Triana numa típica carroça, ao melhor estilo dos contos de fadas e do y fueran felices...
Claro que não é um grande filme. No entanto, confesso que, apesar de tudo isto, superou as minhas expectativas. Porque há nele, mesmo sob a forma de caricatura, uma crítica implícita aos preconceitos e à reacção mais ou menos visceral ao que é diferente e nos causa estranheza. Porque, ainda que em tom jocoso e levezinho, aborda questões pertinentes. Porque, ao ver Sevilha no ecrã, tive a mesma sensação de estar "em casa" que tenho quando vejo filmes que têm Paris como décor e me surge de imediato a vontade de lá voltar. Mas, acima de tudo, porque me fartei de rir o tempo todo, e saí mais bem disposta do que tinha entrado.
E, afinal, não é também para isto que o cinema serve?

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